Primavera terá calor, El Niño forte e risco maior de tempestades

Estação começa nesta terça-feira às 21h05; Sul tende a ter chuva acima da média, enquanto áreas do Centro-Norte devem enfrentar mais calor e períodos secos.

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Redação
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Equinócio de primavera marca início da nova estação nesta terça (22) • Unsplash
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A primavera de 2026 começa nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05 pelo horário de Brasília, com previsão de temperaturas acima da média em grande parte do país, aumento do risco de tempestades e forte influência do El Niño. A estação segue até 21 de dezembro, às 18h50, e marca a transição entre os períodos seco e chuvoso em boa parte do Brasil.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com outros órgãos federais, indica que o El Niño deve permanecer intenso ao longo do trimestre. As projeções apontam alta probabilidade de um evento muito forte, condição que tende a ampliar contrastes regionais de chuva e temperatura.

El Niño ganha força

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial e interfere na circulação atmosférica em escala global. No Brasil, seus efeitos não são iguais em todas as regiões, mas costumam alterar a distribuição das chuvas e favorecer temperaturas mais altas.

Boletim divulgado pelo Inmet no início de setembro apontou mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre setembro, outubro e novembro. Avaliações anteriores do Inpe já indicavam elevada chance de persistência do fenômeno ao longo do segundo semestre e início de 2027.

A intensidade do El Niño não determina sozinha o tempo em cada cidade. Frentes frias, circulação de umidade, temperatura do Atlântico e sistemas regionais também influenciam chuva, calor e tempestades ao longo da estação.

Por isso, os órgãos meteorológicos recomendam acompanhamento de previsões de curto prazo e alertas oficiais, especialmente em períodos de chuva intensa, vendavais, granizo ou ondas de calor.

Sul deve concentrar mais chuva

A Região Sul aparece com tendência de precipitação acima da média durante a primavera. Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem registrar os maiores desvios, com acumulados que superem em até 200 milímetros a média histórica do trimestre em algumas áreas.

Além do volume elevado, há risco de episódios de tempo severo. Complexos Convectivos de Mesoescala podem provocar chuva intensa, rajadas de vento, descargas elétricas e granizo, especialmente em áreas do interior da região.

No Sudeste, o cenário combina calor e chuva irregular. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais têm tendência de chuva acima da média, enquanto grande parte do Espírito Santo pode registrar déficit de precipitação.

Tendências da primavera por região
Região Chuva Temperatura
Sul Acima da média em muitas áreas Em geral acima da média, com exceções no RS
Sudeste Irregular, com excesso em SP, RJ e centro-sul de MG Acima da média
Centro-Oeste Déficit no centro-norte de MT e norte de GO; mais chuva ao sul Acima da média
Norte Abaixo da média em grande parte Acima da média
Nordeste Déficit em grande parte, com exceções no leste Acima da média
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia

Centro-Norte terá mais calor

No Centro-Oeste, as projeções indicam diferenças importantes entre áreas. Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás têm maior possibilidade de chuva acima da média, enquanto o centro-norte de Mato Grosso e o norte goiano podem registrar precipitação abaixo do normal.

As temperaturas devem ficar acima da média em praticamente toda a região. No norte de Mato Grosso, os desvios projetados podem chegar a 2°C acima da climatologia.

No Norte, a tendência é de uma primavera mais quente e seca em grande parte do território. Roraima, norte e nordeste do Amazonas e áreas do Pará podem apresentar os maiores déficits de chuva.

No Nordeste, o calor também deve predominar. A chuva tende a ficar abaixo da média em muitas áreas do interior, enquanto o setor leste entre Rio Grande do Norte e Alagoas pode registrar volumes um pouco superiores à climatologia.

Temporais podem se intensificar

Com o avanço da estação, aumenta o transporte de umidade da Amazônia para o Centro-Oeste e o Sudeste. Esse processo favorece a retomada do período chuvoso e pode contribuir para os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul.

A ZCAS costuma organizar faixas persistentes de umidade e chuva sobre partes do Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia. Ao mesmo tempo, o aquecimento da atmosfera eleva a energia disponível para a formação de tempestades.

O contraste entre massas de ar quente e a passagem de frentes frias pode provocar mudanças rápidas de tempo, com risco de chuva forte, vento e granizo. Esse tipo de evento pode ocorrer mesmo em regiões onde a média sazonal indique déficit de precipitação.

O Inmet orienta a população a acompanhar avisos meteorológicos e alertas da Defesa Civil. A previsão para toda a estação representa uma tendência climática, enquanto o risco de temporais específicos precisa ser avaliado com antecedência menor e atualização frequente.

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