Temporal derruba caminhões de 2 toneladas no RS enquanto casal dormia

Rajadas acima de 100 km/h estavam previstas para a madrugada no estado, com risco de granizo, chuva volumosa e tornado

Da
Redação
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Caminhões de 2 toneladas tombam durante temporal no RS; casal dormia em um deles —Reprodução/Gaúcha
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Dois caminhões de cerca de duas toneladas tombaram durante o temporal que atingiu o Rio Grande do Sul entre a noite de domingo (20) e a madrugada desta segunda-feira (21). Um casal dormia dentro de um dos veículos quando as rajadas de vento derrubaram os caminhões, em um episódio que ilustra a força das tempestades previstas para várias regiões do estado.

A ocorrência foi registrada em meio a uma madrugada de tempo severo, com chuva intensa, granizo e vento forte. A Defesa Civil gaúcha havia alertado para rajadas que poderiam superar 100 km/h em diferentes áreas do Rio Grande do Sul, além de risco localizado de tornado. A condição mais perigosa estava prevista justamente entre a noite de domingo e as primeiras horas de segunda-feira.

O Instituto Nacional de Meteorologia também apontava a atuação de uma frente fria associada a um ciclone extratropical na Argentina, com deslocamento posterior para o Atlântico. O sistema favoreceu a formação de tempestades no Sul e intensificou os ventos por causa do fortalecimento do jato de baixos níveis.

Vento tomba dois caminhões

Os dois veículos estavam estacionados quando foram derrubados pela força do vento. Um casal passava a noite dentro de um deles, situação comum entre motoristas que fazem rotas longas e utilizam a cabine como local de descanso durante paradas.

O tombamento de veículos pesados é compatível com episódios de rajadas severas, especialmente quando os caminhões estão vazios ou com carga reduzida. A grande área lateral funciona como uma superfície exposta ao vento e aumenta a pressão exercida sobre a carroceria.

A ocorrência não foi tratada como acidente de trânsito provocado por colisão. O elemento determinante foi o temporal, dentro de um período em que as autoridades já recomendavam evitar deslocamentos e permanecer longe de estruturas vulneráveis.

Além dos caminhões, eventos de vento extremo podem derrubar árvores, postes, placas e telhados. A recomendação da Defesa Civil é não buscar abrigo sob árvores, estruturas metálicas ou coberturas frágeis durante rajadas intensas.

Rajadas podem superar 100 km/h

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que a madrugada desta segunda concentraria o maior risco de tempo severo. O aviso incluía grande parte do estado, com atenção especial para Campanha, Sul, Costa Doce, Centro, Vales, Região Metropolitana de Porto Alegre, Litoral Médio e Norte.

O órgão previa queda de granizo, inclusive de tamanho grande em alguns pontos, chuva volumosa e rajadas acima de 100 km/h. Também havia risco de tornado durante o período mais instável.

Os acumulados poderiam superar 120 milímetros em apenas 12 horas em áreas do Centro, Norte, Vales e Serra. Entre domingo e segunda, alguns pontos poderiam ultrapassar 150 milímetros.

Frente fria avança pelo Sul

O Inmet atribuiu a instabilidade à passagem de um ciclone extratropical pela Argentina e à formação de uma frente fria que avança pelo Sul do Brasil. Áreas de baixa pressão no interior do continente também contribuem para manter o ambiente favorável a tempestades.

O chamado jato de baixos níveis transporta ar quente e úmido das regiões tropicais em direção ao Sul. Quando esse fluxo encontra ar mais frio, a diferença de temperatura e pressão pode intensificar nuvens de tempestade e provocar rajadas destrutivas.

Setembro já vinha sendo marcado por episódios de tempo severo no Centro-Sul, com registros de granizo, microexplosões, tornados e chuva intensa em diferentes estados.

Defesa Civil mantém alerta

Ao longo da manhã e da tarde desta segunda-feira, o risco de tempestades permanece principalmente na metade norte do Rio Grande do Sul. A situação pode variar rapidamente de uma cidade para outra, conforme a formação das células de chuva.

Moradores devem acompanhar os avisos oficiais e evitar áreas alagadas, pontes baixas, árvores e estruturas que possam ser derrubadas pelo vento. Em caso de enxurrada, a orientação é não atravessar ruas ou estradas com correnteza.

A Defesa Civil recebe chamados pelo telefone 199, enquanto o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo 193. Alertas também são enviados para celulares cadastrados e por sistemas de emergência usados em áreas sob maior risco.

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