A Polícia Militar informou que um dos três ocupantes do helicóptero que caiu em uma área de mata em Iaras, no interior de São Paulo, apresentou um nome falso após o resgate neste domingo (20). A informação acrescenta um novo elemento à ocorrência, registrada na noite de sábado (19), e agora se soma à apuração sobre a identidade dos passageiros e às investigações sobre as condições da aeronave.
Os três ocupantes foram encontrados com vida depois de uma operação que mobilizou policiais militares, bombeiros e o helicóptero Águia. Uma das pessoas a bordo havia conseguido entrar em contato com a PM e informar sobre a queda, permitindo que as buscas fossem direcionadas à região de mata de difícil acesso.
PM relata nome falso
O novo relato da Polícia Militar surgiu depois da retirada dos sobreviventes da mata. Segundo a corporação, um dos ocupantes forneceu identificação que não correspondia ao seu nome verdadeiro. Até o momento, não foram divulgados detalhes suficientes para esclarecer por que a informação incorreta foi apresentada nem se haverá alguma responsabilização específica por esse episódio.
A confirmação da identidade dos ocupantes passou a integrar o conjunto de informações reunidas pelas autoridades após o acidente. A investigação do voo, porém, envolve frentes distintas: a apuração policial pode examinar condutas e documentos, enquanto a investigação aeronáutica se concentra nos fatores que contribuíram para a ocorrência.
As três pessoas sobreviveram à queda e receberam atendimento médico após serem retiradas do local. Relatos iniciais das equipes de emergência apontaram ferimentos e fraturas entre os ocupantes, mas não houve registro de mortes.
O acidente ocorreu em uma área de acesso difícil no município de Iaras, na região de Avaré. As buscas começaram depois do pedido de socorro feito por telefone por uma das vítimas e se estenderam até a manhã deste domingo.
Aeronave estava sem autorização
Registros consultados junto à Agência Nacional de Aviação Civil indicaram que o helicóptero Agusta A109C, de matrícula PT-YBL, não estava autorizado a operar. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade estava vencido desde maio de 2019, e o Certificado de Aeronavegabilidade aparecia cancelado.
A aeronave era registrada para operação privada e não possuía autorização para prestação de serviço de táxi-aéreo. A ausência de autorização operacional não determina, por si só, a causa do acidente, que dependerá da investigação técnica conduzida pelo sistema de investigação aeronáutica.
O cadastro também apontava restrições administrativas e judiciais relacionadas à aeronave. Esses registros serão considerados separadamente da análise técnica sobre a queda, que precisa avaliar condições do equipamento, operação, ambiente e demais fatores relevantes.
Resgate começou após ligação
Segundo a Polícia Militar, uma das pessoas que estavam no helicóptero conseguiu telefonar para a corporação depois da queda. A partir dessa comunicação, equipes do policiamento territorial e do Corpo de Bombeiros iniciaram as buscas com apoio aéreo.
Os três ocupantes foram localizados na manhã de domingo em uma região de mata fechada. O helicóptero Águia foi empregado na retirada das vítimas e no encaminhamento para atendimento médico.
A dificuldade de acesso ao local prolongou a operação. A área exigiu coordenação entre equipes em solo e apoio aéreo para localizar os sobreviventes e retirá-los em segurança.
Cenipa apura causas da queda
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos iniciou a chamada Ação Inicial para a ocorrência envolvendo o PT-YBL. Investigadores do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da região foram acionados para coletar dados sobre o acidente.
Nessa etapa são reunidas informações sobre os danos à aeronave, circunstâncias do voo e outros elementos técnicos necessários à investigação. O objetivo da apuração aeronáutica é identificar fatores contribuintes e produzir medidas de prevenção, sem substituir eventuais investigações policiais ou administrativas.
A causa da queda ainda não foi estabelecida. O avanço da investigação dependerá da análise dos dados coletados no local e de registros relacionados à aeronave, ao voo e às condições encontradas pelos investigadores.


