Investigação aponta uso de laranjas, empresas e influência política na infiltração do PCC nos ônibus de SP

Ministério Público afirma que representantes da facção controlariam, em tese, 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital

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Ministério Público afirma que representantes da facção controlariam, em tese, 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital
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O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil investigam uma estrutura que teria permitido ao Primeiro Comando da Capital ampliar influência sobre empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital. Segundo decisão judicial que embasou a Operação Vectura Corrupta, 12 das 22 empresas do sistema seriam, em tese, controladas ou influenciadas por integrantes e representantes ligados à facção.

A suspeita não é de que o PCC opere diretamente todas essas companhias de forma ostensiva. O modelo descrito nas investigações envolve laranjas, interlocutores, empresários, operações de compra e venda de ônibus, lavagem de dinheiro e relações com pessoas que ocupavam posições de influência no setor público.

Laranjas assumiriam empresas

De acordo com os investigadores, pessoas formalmente apresentadas como sócios ou administradores atuariam em alguns casos em nome de integrantes da organização criminosa. Esses representantes permitiriam que a facção controlasse decisões sem aparecer diretamente nos registros empresariais.

O sistema de transporte municipal movimenta bilhões de reais por ano em contratos públicos e subsídios. Essa escala torna as empresas potencialmente úteis para misturar recursos legais e ilegais.

As investigações apontam que transações com ônibus e outros ativos poderiam ser utilizadas para movimentar dinheiro e mascarar a origem de valores. Promotores também analisam pagamentos, contratos e relações entre diferentes empresas.

A hipótese do MP é que o crime organizado tenha utilizado estruturas empresariais formais para entrar em um serviço público de grande escala e circulação constante de recursos.

Operação mira agentes públicos

A Vectura Corrupta expediu mandados contra empresários, advogados e pessoas com atuação política ou administrativa. Entre os alvos estão o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite e o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira.

Leite é citado na investigação como possível proprietário de fato da Transwolff, hipótese que ele nega. O ex-vereador afirmou que não é dono de empresa de ônibus e que se apresentaria às autoridades.

A investigação também examina contatos entre dirigentes de companhias e pessoas com capacidade de interferir em decisões da SPTrans e de outros órgãos municipais.

Empresas já eram investigadas

A Transwolff havia sido alvo de apurações anteriores por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Investigações de 2024 identificaram movimentações consideradas incompatíveis e relações entre empresas do setor e pessoas ligadas à facção.

Outras companhias mencionadas nas apurações atuais incluem A2 Transportes, Translider, Transbellaflor, Otratur, ABC Plus Transportes e Viação Bom Jesus. A situação jurídica de cada uma pode ser diferente, e menção em investigação não equivale a condenação.

A Prefeitura de São Paulo criou um grupo para avaliar contratos e medidas administrativas, inclusive possibilidade de novas intervenções.

Caso afeta serviço essencial

A investigação levanta questões sobre fiscalização de concessões e contratos de transporte. Empresas operadoras recebem recursos públicos e atendem milhões de passageiros diariamente.

As autoridades tentam identificar se houve influência criminosa em licitações, venda de ativos, repasses e decisões administrativas. Documentos financeiros e conversas extraídas de aparelhos eletrônicos estão entre as provas analisadas.

Os suspeitos terão direito de defesa, e as acusações dependem de comprovação no processo judicial. A investigação ainda está em andamento e pode revelar diferentes níveis de participação entre os alvos.

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