Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, afirmou neste domingo, 20 de setembro, que o PT seria conivente com facções criminosas. A declaração foi feita durante uma caminhada de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo.
A fala surgiu depois de uma pergunta sobre a posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação às facções brasileiras. Caiado respondeu defendendo uma política mais dura contra o crime organizado.
A acusação contra o PT é uma manifestação política do candidato e não uma conclusão judicial sobre o partido. O combate às organizações criminosas envolve legislação federal, investigações policiais e ações de segurança conduzidas pela União e pelos estados.
Caiado acusa o PT
Caiado afirmou que as facções foram, em sua avaliação, o tipo de organização criminosa que mais avançou no país nos últimos 20 anos.
Segundo o candidato, esses grupos passaram a operar como estruturas globais de exportação de cocaína.
“O PT é um partido conivente com as facções criminosas”.
Ronaldo Caiado
O candidato não apresentou, durante a fala reproduzida pelo Metrópoles, elementos específicos que demonstrassem a acusação de conivência atribuída ao PT.
Por isso, a declaração deve ser entendida como parte do confronto eleitoral de Caiado com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Caminhada reúne aliados
Caiado percorreu a Avenida Paulista acompanhado de apoiadores e de integrantes de sua chapa.
Gilberto Kassab, candidato a vice-presidente, participou da caminhada. Mara Gabrilli, candidata a deputada estadual, também esteve no ato.
Durante a agenda, Caiado criticou os gastos do governo federal ao comentar as taxas de juros praticadas no país.
A combinação entre segurança pública e economia concentrou as principais mensagens apresentadas pelo candidato durante a atividade em São Paulo.
Facções ampliam atuação
O debate sobre facções envolve organizações com presença em diferentes estados e participação em atividades como tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
A expansão territorial e financeira desses grupos levou governos estaduais e órgãos federais a intensificar operações integradas e investigações patrimoniais.
A classificação jurídica de uma facção criminosa no Brasil não é automaticamente equivalente ao enquadramento como organização terrorista, tema que apareceu na pergunta dirigida a Caiado.
Essa distinção é relevante porque os dois enquadramentos têm fundamentos e consequências jurídicas diferentes.
A própria fala de Caiado mistura a discussão eleitoral doméstica com uma referência à posição do governo norte-americano. Separar esses dois planos ajuda a entender que uma declaração política sobre segurança não altera, por si só, a classificação jurídica aplicada no Brasil.
PF mantém ações integradas
Em julho, 19 Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado realizaram operações simultâneas em 16 estados, segundo a Polícia Federal.
As ações cumpriram ordens judiciais em investigações sobre organizações criminosas, tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outros crimes.
As FICCOs reúnem forças federais e estaduais e operam de acordo com a composição de cada unidade da federação.
Entre as medidas executadas em julho houve prisões, buscas, apreensões e bloqueios patrimoniais em investigações com focos diferentes. A estrutura integrada permite combinar inteligência, investigação financeira e atuação local contra grupos que operam em mais de um estado.
Esse contexto mostra que o enfrentamento às facções ocorre por diferentes frentes policiais e judiciais, independentemente das acusações feitas por candidatos durante a campanha.


