Justiça suspende restrição a amplificadores de artistas na Paulista

Decisão atinge portaria municipal que vetava fontes externas de energia durante o Ruas Abertas; regra já era alvo de críticas de artistas e apuração do MPSP

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Decisão atinge portaria municipal que vetava fontes externas de energia durante o Ruas Abertas; regra já era alvo de críticas de artistas e apuração do MPSPDivulgação/Governo de São Paulo
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Justiça suspendeu a medida municipal que restringia o uso de amplificadores e outras fontes externas de energia por artistas de rua na Avenida Paulista durante o programa Ruas Abertas. A decisão atinge a Portaria Conjunta nº 1, publicada pela Prefeitura de São Paulo em agosto de 2026.

A norma vedava o uso de geradores, baterias e ligações elétricas provenientes de estabelecimentos comerciais ou residências para alimentar equipamentos e instrumentos sonoros utilizados pelos artistas durante os domingos e feriados em que a avenida é aberta a pedestres.

O texto previa sanções em caso de descumprimento, inclusive apreensão de equipamentos, embora excluísse instrumentos musicais dessa possibilidade. A restrição provocou reação de artistas de rua e moradores, por motivos diferentes, e passou a ser discutida também no Ministério Público.

Com a suspensão judicial, a proibição específica criada em agosto deixa de produzir efeitos enquanto a controvérsia segue em análise.

Portaria restringia fontes externas

A medida publicada em 4 de agosto não proibia toda forma de som amplificado, mas vedava o uso de fontes externas de energia.

Na prática, geradores, baterias externas e ligações elétricas de imóveis próximos não poderiam alimentar caixas de som ou instrumentos.

O texto foi editado pela Secretaria Municipal das Subprefeituras e pela Subprefeitura da Sé.

A prefeitura justificou a mudança como tentativa de conciliar manifestações artísticas com o uso compartilhado do espaço público.

Artistas contestaram a regra

Representantes de artistas afirmaram que a portaria inviabilizava parte relevante das apresentações na Paulista.

Celso Reeks, representante da categoria, disse à época que a regra teria sido adotada sem discussão efetiva na Comissão de Conciliação.

Na prática, é uma proibição total a qualquer tipo de amplificação.

Celso Reeks, representante de artistas de rua

A crítica central era que equipamentos amplificados dependem de alguma fonte de energia para funcionar.

Os artistas também defendiam fiscalização de volume e ocupação, em vez de uma vedação ampla ao fornecimento de energia.

Moradores também apontaram falhas

Associações de moradores e comerciantes questionaram a eficácia da portaria por outro motivo.

Segundo esses grupos, caixas de som com bateria interna continuavam liberadas, mesmo produzindo o mesmo nível de ruído de equipamentos ligados a fontes externas.

Instrumentos de percussão e sopro também não eram diretamente alcançados pela regra de agosto.

Para esses moradores, o problema principal seguia sendo a poluição sonora, e não a origem da energia utilizada.

Regras anteriores já dividiam espaços

Antes da portaria de agosto, a Prefeitura já havia criado uma divisão de trechos para apresentações na Avenida Paulista.

Uma regulamentação anterior estabelecia áreas com som amplificado, áreas apenas acústicas e pontos fixos para instrumentos de maior volume.

Também havia locais em que apresentações sonoras eram vedadas.

Esse modelo foi apresentado como resultado de diálogo entre artistas, moradores, comerciantes e poder público.

MPSP investiga fiscalização

Paralelamente à disputa judicial, o Ministério Público de São Paulo investiga a atuação da prefeitura na fiscalização de artistas e artesãos na Paulista.

A apuração teve origem em representação que questionou retirada de trabalhadores do espaço público e apreensão de materiais.

A Promotoria pediu esclarecimentos à Subprefeitura da Sé sobre normas e procedimentos usados nas abordagens.

O MPSP também mantém investigação sobre poluição sonora durante o programa Ruas Abertas.

Disputa sobre uso da via continua

A suspensão judicial não encerra o debate sobre apresentações musicais na Avenida Paulista.

O município ainda precisa conciliar liberdade de expressão artística, direito ao sossego, segurança e organização do espaço público.

Artistas defendem regras claras e previsíveis para trabalhar, enquanto moradores cobram controle efetivo de ruído.

A decisão desta sexta-feira altera o cenário imediato, mas a regulamentação definitiva ainda depende do andamento judicial e das medidas que a prefeitura poderá adotar.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *