Nikolas pede ao STF que avalie afastamento cautelar de Paulo Gonet

Representação enviada a Edson Fachin cita foto do procurador-geral com Daniel Vorcaro em Londres, mensagens sobre viagem e menções encontradas no celular do ex-banqueiro

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Redação
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou neste sábado, 19 de setembro, uma representação dirigida ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pedindo que a Corte avalie o afastamento cautelar do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O pedido foi apresentado após a divulgação de uma fotografia em que Gonet aparece ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro durante um evento em Londres, em abril de 2024. A imagem mostra o procurador-geral com um charuto nas mãos, em uma mesa onde também aparecem copos de uísque.

A representação não produz afastamento automático. O documento depende de análise no STF, e as acusações feitas por Nikolas precisam ser distinguidas dos fatos já confirmados. A fotografia comprova a presença dos dois no mesmo evento, mas, isoladamente, não demonstra prática de irregularidade.

Nikolas pede análise de afastamento cautelar

No documento encaminhado a Fachin, Nikolas solicita que o Supremo avalie a possibilidade de afastamento cautelar de Gonet do cargo de procurador-geral da República.

O deputado também pede que o tema seja levado ao plenário do STF e que a representação seja encaminhada ao relator das investigações relacionadas ao Banco Master, ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Senado Federal.

A iniciativa ocorre em meio ao aumento da pressão política sobre Gonet depois da divulgação de materiais extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal.

O pedido de Nikolas é uma representação política e jurídica ainda pendente de análise, não uma decisão do Supremo sobre a permanência de Gonet no cargo.

Foto em Londres virou centro da controvérsia

A fotografia citada no pedido teria sido registrada em abril de 2024, durante um evento jurídico realizado em Londres. O registro foi encaminhado a Vorcaro em junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares.

Na mensagem que acompanhava a imagem, Soares escreveu que “PG” a havia enviado. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da fotografia, mas não apresentou comentário público detalhado sobre o conteúdo do encontro.

A defesa pública de Gonet é que aquele foi seu único encontro presencial com Vorcaro e que ocorreu em ambiente com outras autoridades e convidados.

O advogado Ciro Soares afirmou que o evento aconteceu em 2024, antes de haver investigação contra Vorcaro, e sustentou que não houve irregularidade no encontro.

Declaração de Gonet também é citada

Durante sessão do STF em 15 de setembro, Gonet afirmou que não manteve relação de proximidade com Vorcaro e descreveu o contato entre ambos como breve e banal.

Não tive proximidade.

Paulo Gonet

Nikolas usa a fotografia e outras mensagens para questionar essa versão. O parlamentar sustenta que os elementos encontrados no celular do ex-banqueiro merecem exame independente.

Gonet, por sua vez, já classificou imputações relacionadas ao caso como levianas e descabidas e nega amizade ou interesse pessoal na situação de Vorcaro.

Mensagens mencionam viagem do filho do PGR

Outro ponto destacado na representação envolve conversas sobre uma viagem a Londres que seria realizada em 2025.

De acordo com o material citado por Nikolas, Ciro Soares perguntou a Vorcaro se Pedro Gonet, filho do procurador-geral, poderia viajar com o grupo com despesas custeadas pelo banqueiro.

Vorcaro teria autorizado o pagamento, e uma mensagem posterior voltou a mencionar a possibilidade de participação do filho de Gonet. A viagem, porém, acabou cancelada.

A existência dessas mensagens é usada pelo deputado como argumento para pedir aprofundamento da apuração. O custeio não chegou a se concretizar porque a viagem não ocorreu.

Anotação no celular também entrou no pedido

Nikolas também cita uma anotação encontrada no celular de Vorcaro, datada de outubro de 2025, que mencionaria a necessidade de “reforçar com Andrei e Paulo” para evitar problemas com integrantes de órgãos que investigavam o caso.

Segundo a representação, a Polícia Federal associou os nomes a Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet.

O deputado afirma ainda que Gonet e familiares aparecem dezenas de vezes nos autos e relaciona essas menções ao pedido do procurador-geral para anular apurações conduzidas pelo ministro André Mendonça.

Essas referências, por si só, não estabelecem responsabilidade criminal. Elas integram um conjunto de elementos que diferentes órgãos ainda examinam.

Caso agora depende de análise institucional

A representação protocolada por Nikolas amplia uma crise que já envolve STF, PGR, Polícia Federal e o Conselho Superior do Ministério Público Federal.

O Conselho do MPF abriu procedimento para analisar as menções a Gonet em mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Até o momento, não foi anunciada conclusão de que o procurador-geral tenha cometido ilícito.

Edson Fachin passou a concentrar decisões relacionadas aos principais desdobramentos do caso Master dentro do Supremo e agora deverá definir o encaminhamento do pedido apresentado pelo deputado.

Enquanto isso, Gonet permanece no cargo. O avanço ou arquivamento da representação dependerá das decisões institucionais tomadas pelo STF e pelos demais órgãos aos quais Nikolas pediu envio do documento.

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