O elefante Sandro deixou o Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”, em Sorocaba, depois de 44 anos vivendo no local. O animal foi transferido na quarta-feira, 16 de setembro, para o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso.
A mudança encerra uma das histórias mais longas do zoológico municipal. Sandro chegou a Sorocaba em 18 de agosto de 1982, com aproximadamente 10 anos, depois de ter sido resgatado de um circo.
A saída de Sandro marca o fim de uma permanência de mais de quatro décadas em Sorocaba e o início de uma nova fase em um santuário especializado. A transferência foi acompanhada por equipes técnicas e mobilizou moradores que acompanhavam a trajetória do elefante no zoológico.
Entrou com pedido de suspensão da ordem judicial relacionada à transferência e aguardava uma decisão da Justiça. Mesmo com a contestação, o deslocamento do animal foi realizado.
Sandro chegou ao zoo em 1982
Sandro foi levado ao zoológico ainda jovem. Estima-se que tivesse cerca de 10 anos quando chegou à cidade, depois de ter vivido em um circo. Desde então, tornou-se um dos animais mais conhecidos do “Quinzinho de Barros”.
Ao longo das décadas, o elefante passou a fazer parte da memória de várias gerações de visitantes. Sua permanência no local também acompanhou mudanças nas práticas de manejo, bem-estar e conservação adotadas pelo zoológico.
Em 1995, Sandro passou a dividir o recinto com a elefanta Haisa, que também havia vindo de um circo. A intenção era que os dois formassem um casal, embora nunca tenham tido filhotes.
Os dois viveram juntos por 25 anos. Haisa morreu em 18 de novembro de 2020, e Sandro permaneceu sozinho no recinto desde então.
Elefante era conhecido pelo temperamento brincalhão
Sandro era descrito pelas equipes do zoológico como um animal curioso, inteligente e brincalhão. Essas características ajudaram a construir uma relação próxima com tratadores e visitantes frequentes.
Também chamava atenção pelo apetite. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Sorocaba, o elefante consumia cerca de 250 quilos de alimentos por dia, divididos em cinco refeições.
A dieta incluía capim triturado, brotos, frutas e sucos. Em dias mais quentes, o animal também recebia água de coco gelada como parte dos cuidados adotados pela equipe.
Por causa da idade avançada, Sandro seguia protocolos específicos de bem-estar. Entre as atividades estavam caminhadas diárias estimuladas pelos tratadores com auxílio de frutas.
Transferência levou Sandro ao Mato Grosso
A transferência para o Santuário de Elefantes Brasil ocorreu no início da tarde de 16 de setembro. O destino fica na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, onde o animal deverá viver em uma estrutura dedicada especificamente a elefantes.
A operação foi preparada com antecedência. Antes da viagem, equipes envolvidas no manejo organizaram procedimentos para reduzir riscos durante o transporte e adaptar Sandro à movimentação necessária.
O deslocamento de um elefante exige atenção a fatores como espaço, temperatura, alimentação, monitoramento e segurança. A idade do animal também aumenta a necessidade de acompanhamento técnico durante todo o processo.
A mudança encerra a permanência de Sandro no zoológico de Sorocaba, mas não encerra o acompanhamento sobre sua saúde e adaptação. O foco passa agora a ser a nova rotina no santuário.
Prefeitura contestou saída na Justiça
Apresentou pedido de suspensão da ordem judicial que determinou a transferência. O município defendia a permanência do animal no zoológico enquanto aguardava uma decisão definitiva.
Apesar da medida judicial apresentada, Sandro foi levado ao santuário. A situação criou um cenário em que a transferência ocorreu ao mesmo tempo em que o município ainda buscava reverter a decisão.
A administração municipal vinha destacando os protocolos de cuidado mantidos em Sorocaba e a relação de longa duração entre o animal e a equipe técnica local.
O caso também ampliou o debate sobre o destino de elefantes mantidos em zoológicos e sobre os critérios usados para decidir transferências para santuários especializados.
Zoo montou homenagem após despedida
Depois da saída de Sandro, o Zoológico de Sorocaba instalou um painel de LED com fotos, vídeos e registros de diferentes fases da vida do elefante. A homenagem deverá permanecer exposta durante 30 dias.
O material reúne imagens da trajetória do animal e reportagens publicadas desde sua chegada à cidade. A iniciativa busca preservar a memória de um dos moradores mais antigos do zoológico.
Visitantes foram ao local para ver a homenagem nos dias seguintes à transferência. Para parte do público, a despedida representou o fim de uma relação construída ao longo de décadas.
O “Quinzinho de Barros” funciona de terça a domingo, das 9h às 17h, e fica na Rua Theodoro Kaisel, 883, na Vila Hortência, em Sorocaba.
Nova fase começa em santuário especializado
No novo destino, Sandro passa a viver em uma instituição voltada especificamente ao acolhimento de elefantes. A estrutura do santuário é diferente da de um zoológico tradicional e prioriza grandes áreas e manejo direcionado à espécie.
A mudança representa uma transformação significativa na rotina de um animal que passou 44 anos no mesmo zoológico. O período de adaptação será um dos pontos mais importantes dessa nova etapa.
O histórico de Sandro também ajuda a dimensionar a mudança. Ele viveu parte da juventude em circo, passou quatro décadas em Sorocaba e agora inicia uma fase em um santuário no Centro-Oeste brasileiro.
A transferência encerra um capítulo marcante para o Zoológico de Sorocaba e abre outro para o elefante. Acompanhamento veterinário, adaptação ao novo ambiente e bem-estar serão os principais pontos observados a partir de agora.


