Elefante Sandro deixa zoológico em SP rumo a santuário em MT após batalha judicial

Aos 54 anos e vivendo sozinho desde 2020, o animal iniciou uma viagem de mais de 1,6 mil quilômetros para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães.

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Redação
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O elefante Sandro durante o período em que permaneceu no interior paulista.Reprodução/Prefeitura de Sorocaba
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O elefante Sandro, de 54 anos, iniciou nesta quarta-feira (16) uma longa viagem com destino ao Santuário de Elefantes Brasil, localizado em Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. O animal vivia sozinho desde a morte de sua companheira, Haisa, ocorrida em 2020, no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, no interior paulista.

A transferência marca o desfecho de um processo que envolveu impasses entre a prefeitura local e órgãos de justiça. Organizações de proteção animal apontavam que o recinto anterior não oferecia as condições adequadas para uma espécie de grande porte, motivando a mobilização pelo bem-estar do mamífero.

O trajeto entre o interior paulista e o estado mato-grossense possui cerca de 1.615 quilômetros. A expectativa das equipes envolvidas no transporte é de que a viagem dure até dois dias e meio até a chegada ao refúgio, reconhecido nacionalmente pelo acolhimento de animais vindos de cativeiro.

Apontam irregularidades no recinto

Relatórios técnicos e avaliações do santuário indicaram que o espaço onde o elefante residia em Sorocaba não atendia às normas estabelecidas pelo Ibama. A estrutura era descrita como pequena, fechada e com superfícies duras que prejudicavam a rotina diária.

Além da falta de drenagem adequada para dejetos, especialistas destacaram que as dimensões limitavam a movimentação do animal. Com quase três metros de altura, o elefante dispunha de um espaço com apenas 3,5 metros de pé-direito, comprometendo o conforto físico.

O isolamento prolongado também foi alvo de advertências por parte de especialistas em fauna. A ausência de estímulos sociais gerou alertas recorrentes sobre o impacto negativo no comportamento e na qualidade de vida do mamífero.

Determina a Justiça a transferência

A ordem para a remoção do animal foi emitida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão destacou que a permanência no zoológico mantinha o indivíduo em condições prejudiciais, recomendando a convivência futura com outros exemplares da espécie.

A administração municipal de Sorocaba contestou inicialmente a medida, argumentando que a operação de transporte representava riscos severos à saúde do animal. A defesa técnica sustentava que ele recebia acompanhamento contínuo de profissionais especializados desde 1982.

Apesar da contestação da prefeitura, a decisão judicial prevaleceu e viabilizou a saída do animal para o refúgio mato-grossense, onde ele terá acesso a solos naturais e manejo adequado.

Esperam nova rotina adaptada

No novo destino, a equipe do santuário planeja introduzir uma rotina voltada para a reabilitação e o comportamento natural da espécie. O espaço aberto permitirá caminhadas em solos adequados e maior interação com o ambiente verde.

O planejamento para a chegada do animal inclui uma dieta personalizada e protocolos de saúde adaptados à idade avançada. A integração com outras fêmeas que já habitam o local é considerada um dos passos centrais para melhorar sua qualidade de vida.

O Santuário de Elefantes Brasil consolidou-se nos últimos anos como um dos principais centros de recepção para animais que sofriam com restrições severas em cativeiros urbanos em todo o país.

Inicia viagem rumo ao refúgio

A partida concretizada nesta quarta-feira encerra um ciclo de décadas do elefante no interior paulista. O roteiro logístico foi planejado minuciosamente para garantir a segurança durante os quilômetros que separam os dois estados.

Especialistas em transporte de grandes mamíferos acompanham cada etapa do deslocamento terrestre. O objetivo é assegurar que o animal chegue sem estresse excessivo ao seu novo lar no Mato Grosso.

A expectativa geral entre ambientalistas e defensores da causa animal é de que os próximos anos proporcionem ao elefante uma vivência mais próxima daquela encontrada na natureza.

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