O governo da Venezuela e representantes da oposição estão próximos de um acordo para transferir reservas de ouro avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve Bank de Nova York. A negociação foi revelada pelo Financial Times, que citou pessoas familiarizadas com as conversas.
Não conseguiu verificar de forma independente o conteúdo do acordo. Por isso, a transferência ainda deve ser tratada como uma negociação em andamento, e não como operação concluída.
Pela proposta relatada, o governo interino de Delcy Rodríguez obteria controle legal sobre o ouro, mas não poderia vender imediatamente as reservas. O metal poderia ser usado como garantia para empréstimos destinados a despesas públicas e à reconstrução do país.
Ouro permanece em Londres
As reservas estão no centro de uma longa disputa jurídica no Reino Unido. O ouro pertence ao Banco Central da Venezuela, mas o acesso ficou bloqueado depois que governos ocidentais reconheceram Juan Guaidó como presidente interino em 2019.
Desde então, diferentes representantes venezuelanos disputam nos tribunais britânicos quem tem autoridade legítima para dar instruções sobre os ativos. O caso se tornou um dos mais conhecidos exemplos de como sanções e reconhecimento diplomático podem afetar reservas internacionais.
A mudança política recente na Venezuela abriu espaço para novas negociações. A proposta de transferência para Nova York buscaria encerrar parte da disputa legal e colocar os ativos sob um novo regime de custódia.
O ponto central do acordo seria permitir uso econômico das reservas sem liberar uma venda imediata do ouro.
Fed receberia as reservas
O destino previsto é o Federal Reserve Bank de Nova York, uma das principais instituições de custódia de ouro monetário do mundo. A transferência mudaria o local de guarda e também a estrutura jurídica de controle das reservas.
O governo venezuelano poderia usar o ouro como colateral para obter empréstimos. Isso permitiria levantar recursos sem liquidar o ativo físico.
Os recursos poderiam financiar reconstrução após terremotos registrados em junho e outras necessidades do governo. Os detalhes de governança, supervisão e liberação de recursos ainda não foram tornados públicos.
Acordo exige salvaguardas
Representantes da oposição teriam defendido mecanismos de controle para impedir uso inadequado das reservas. Essas salvaguardas são consideradas essenciais porque o ouro representa uma parcela relevante dos ativos externos venezuelanos disponíveis.
A proposta também depende de cooperação entre autoridades britânicas, americanas e venezuelanas. O Banco da Inglaterra e o Federal Reserve não anunciaram oficialmente uma operação concluída.
O Banco da Inglaterra, o Fed de Nova York e o Ministério das Relações Exteriores britânico não responderam imediatamente aos pedidos de comentário fora do horário comercial.
Negociação sinaliza reaproximação
A discussão ocorre em um ambiente de reaproximação gradual da Venezuela com instituições financeiras internacionais e com os Estados Unidos. Parte das sanções foi flexibilizada nos últimos meses, ao mesmo tempo em que avançaram negociações políticas internas.
A transferência do ouro seria um passo relevante porque envolve um ativo que ficou bloqueado durante anos em razão da disputa sobre legitimidade presidencial. Um acordo reduziria uma das pendências financeiras mais simbólicas do país.
Ainda assim, não existe confirmação oficial de que todas as partes tenham dado aprovação definitiva. Mudanças no texto do acordo, exigências judiciais ou condições políticas podem alterar a operação antes de sua conclusão.
Até que haja anúncio formal, o cenário mais preciso é o de uma negociação avançada. O valor de aproximadamente US$ 4 bilhões, o destino em Nova York e o uso como garantia constam do relato do Financial Times, mas permanecem sujeitos à confirmação pelas instituições envolvidas.


