Estados Unidos retiram Venezuela de lista de países falhos no combate às drogas após duas décadas

Decisão do presidente Donald Trump cita cooperação com o governo interino de Delcy Rodríguez e aponta possível revisão para a Colômbia.

Da
Redação
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Governo norte-americano alterou status da Venezuela após cooperação em segurança pública.REUTERS
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Os Estados Unidos decidiram remover a Venezuela de sua lista oficial de países que falharam em combater de forma demonstrável o tráfico ilegal de entorpecentes. O anúncio foi formalizado por meio de uma determinação presidencial divulgada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, marcando uma alteração diplomática significativa em relação à política externa mantida por Washington para a América do Sul nos últimos anos.

Com a medida, a Venezuela deixa de figurar em um grupo de nações reprovadas nessa área específica de segurança pela primeira vez desde o ano de 2005. A decisão ocorre em um momento de profundas transformações políticas na região, impulsionadas por mudanças recentes nas administrações de países sul-americanos e por novos acordos bilaterais de cooperação policial e militar.

Apesar da alteração no status de cooperação e cumprimento de metas, as autoridades norte-americanas ressaltam que o território venezuelano, assim como outras nações do continente e de outras regiões do globo, continua sendo monitorado como um importante centro logístico para o trânsito de substâncias ilícitas rumo aos mercados internacionais.

Trump aponta cooperação interina

O chefe da Casa Blanca justificou a remoção venezuelana mencionando a colaboração estabelecida com o atual governo interino do país vizinho. A cooperação com a administração interina liderada por Delcy Rodríguez tem apresentado resultados práticos na área de segurança pública e no combate ao crime organizado transnacional.

Entre os episódios citados para fundamentar a nova avaliação está a operação que resultou na morte do líder da facção criminosa Tren de Aragua, conhecido popularmente como “Niño Guerrero”. Para o governo norte-americano, tais ações demonstram uma mudança de postura em comparação com o período anterior.

A guinada política na Venezuela ganhou força após a deposição e prisão do ex-presidente Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro. Desde então, a gestão interina assumiu compromissos voltados à desarticulação de redes narcoterroristas que operam no território venezuelano.

Mudança encerra longo histórico

A permanência da Venezuela na lista de nações reprovadas persistia ininterruptamente havia mais de duas décadas, refletindo o prolongado distanciamento diplomático e as sucessivas sanções aplicadas por Washington contra a antiga estrutura de poder em Caracas.

Determinei que a Venezuela não deve mais ser classificada como um país que falhou de forma demonstrável em cumprir seus compromissos de controle de drogas.”

Donald Trump

A determinação presidencial anual avalia o cumprimento de acordos internacionais e o esforço efetivo dos governos no controle de entorpecentes. Durante o longo período em que integrou a relação de países falhos, a Venezuela acumulou severas restrições econômicas e diplomáticas.

Apesar da retirada da lista de nações reprovadas, o país permanece sob rigorosa vigilância do Departamento de Estado. A continuidade da nova classificação dependerá de progressos mensuráveis na interrupção definitiva das rotas de tráfico.

Colômbia avalia nova diretriz

Além da decisão envolvendo Caracas, o governo dos Estados Unidos indicou que a Colômbia também poderá ser retirada da mesma lista no futuro próximo. Essa possibilidade está condizente com os novos rumos políticos adotados em Bogotá após a posse do presidente Abelardo De La Espriella em agosto.

O mandatário colombiano assumiu o cargo sucedendo Gustavo Petro e prometendo adotar uma postura de maior rigidez nas políticas de segurança pública e repressão às organizações criminosas ligadas ao narcotráfico. A gestão anterior havia acumulado atritos diplomáticos com Washington em função de divergências sobre o controle de cultivos ilícitos.

O governo norte-americano sinalizou que acompanhará atentamente os resultados práticos da nova administração colombiana, especialmente no que tange à erradicação de plantações de coca e ao desmantelamento de redes criminosas ao longo do próximo ano.

Parceria regional ganha foco

A reconfiguração das relações bilaterais entre os Estados Unidos e os países sul-americanos busca consolidar novas alianças estratégicas voltadas à segurança hemisférica. A administração de Donald Trump aposta na convergência de interesses com os atuais governos para conter o avanço do crime organizado transnacional.

Especialistas em geopolítica internacional apontam que o alinhamento de Caracas e Bogotá às exigências impostas por Washington altera o tabuleiro político regional. No entanto, organismos internacionais continuam alertando para os desafios estruturais persistentes no combate ao narcotráfico na América Latina.

A fiscalização sobre o cumprimento das metas estabelecidas pelo Departamento de Estado permanece como um termômetro essencial para as relações diplomáticas e comerciais na região nos próximos meses.

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