O empresário colombo-venezuelano Alex Saab declarou-se culpado nesta terça-feira (15) em um tribunal federal em Miami de uma acusação de conspiração para lavagem de dinheiro. A audiência ocorreu perante a juíza federal Kathleen Williams, conforme apontam os registros da corte americana.
Além de assumir a culpa, o aliado do ex-ditador venezuelano concordou em abrir mão de US$ 195 milhões e prometeu colaborar com as investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os autos do processo, contudo, não detalharam quais frentes investigativas contarão com o auxílio do réu.
Esquema em assistência social
De acordo com os promotores federais, o esquema envolveu o desvio de milhões de dólares de um programa de assistência social criado para fornecer alimentos à população venezuelana carente. Parte dos recursos obtidos ilicitamente foi transferida para contas bancárias mantidas nos Estados Unidos.
A postura atual representa uma reviravolta em relação a julho, quando o empresário havia se declarado inocente. A mudança de rumo ocorreu dois meses após sua extradição, articulada no âmbito dos esforços da presidente interina Delcy Rodríguez para afastar o atual governo de práticas associadas à gestão anterior.
Antes de sua derrocada recente, Saab ocupou o cargo de ministro da Indústria na administração de Nicolás Maduro. Ele acabou destituído do posto em janeiro por Delcy Rodríguez, logo após a captura de Maduro em Caracas por forças especiais norte-americanas, sendo detido pelo novo governo venezuelano no mês seguinte.
Histórico de processos judiciais
Este representa o segundo processo criminal enfrentado pelo aliado de Maduro em solo norte-americano. Em 2020, o empresário havia sido capturado em Cabo Verde e posteriormente extraditado para responder por supostos desvios de US$ 350 milhões vinculados a um esquema de suborno.
Apesar da gravidade das acusações daquela época, Saab acabou beneficiado por uma clemência concedida em dezembro de 2023 pelo então presidente Joe Biden, como parte de uma negociação de troca de prisioneiros. Com a nova prisão e a confissão atual, o cenário jurídico mudou drasticamente para o réu.
Enquanto isso, Nicolás Maduro permanece detido sem direito a fiança em uma unidade prisional localizada no Brooklyn. O ex-governante declarou-se inocente de acusações relacionadas ao tráfico de drogas e tenta sustentar uma tese de imunidade por ter liderado um Estado soberano.
Desdobramentos na Justiça americana
Especialistas jurídicos avaliam que a tentativa de defesa baseada em imunidade soberana enfrenta barreiras significativas nos tribunais dos Estados Unidos. O argumento perde força jurídica principalmente porque Washington deixou de reconhecer Maduro como chefe de Estado legítimo da Venezuela desde o ano de 2019.
O cronograma do tribunal americano estabelece que o julgamento principal de Nicolás Maduro deverá ocorrer em 1º de junho de 2027. Até lá, os desdobramentos decorrentes da colaboração firmada por aliados próximos continuam sob monitoramento estrito das autoridades federais em Miami.
Os representantes legais de Alex Saab optaram por não se manifestar de imediato diante dos pedidos de comentários feitos pela imprensa sobre o acordo de delação e a renúncia dos valores milionários.
Impacto político na Venezuela
A derrocada dos principais nomes do antigo regime evidencia a reconfiguração de forças políticas em curso na Venezuela desde a transição liderada por Delcy Rodríguez. A cooperação de figuras centrais com a justiça estrangeira restringe a margem de manobra de antigos aliados do chavismo.
Analistas internacionais apontam que a perda de recursos financeiros expressivos enfraquece a rede de sustentação que manteve a cúpula venezuelana no poder por anos. A repatriação ou confisco dos ativos desviados figura como eixo central das ações conduzidas por Washington.
As investigações prosseguem sob sigilo em tribunais da Flórida, enquanto o Departamento de Justiça avalia o alcance das informações que serão repassadas pelo empresário ao longo do processo de colaboração.


