O senador Carlos Portinho (PL-RJ) e a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) trocaram acusações nesta sexta-feira, 18 de setembro, sobre a regulamentação das apostas on-line no Brasil. O embate ocorreu nas redes sociais e envolveu referências às votações de 2023 e ao chamado “Jogo do Tigrinho”.
A discussão acontece em meio à campanha eleitoral de 2026, quando ambos disputam espaço político no Rio de Janeiro. As declarações incluem interpretações partidárias sobre o histórico legislativo, por isso é necessário separar as falas dos registros oficiais de votação.
Portinho acusa Benedita sobre bets
Portinho afirmou que Benedita votou a favor da regulamentação das apostas em 2023 e usou esse histórico para criticá-la nas redes sociais.
O senador também citou o “Tigrinho”, nome popular de um jogo de cassino on-line que se tornou alvo de críticas por riscos de endividamento e publicidade agressiva.
Na postagem, Portinho apresentou a divergência como parte de um contraste político entre sua atuação e a da deputada.
A acusação, porém, precisa ser lida à luz das diferentes etapas legislativas e dos vários textos e destaques votados durante a tramitação da regulamentação.
Benedita contesta crítica do senador
Benedita respondeu às publicações e contestou a forma como Portinho descreveu seu posicionamento.
A deputada também recorreu à própria trajetória política para rebater a crítica e rejeitou a associação feita pelo adversário.
O Metrópoles registrou a troca de mensagens, mas a resposta publicada não elimina a necessidade de consultar os registros nominais da Câmara para verificar cada votação específica.
Esses registros mostram como parlamentares votaram em projetos, destaques e requerimentos, que podem produzir efeitos diferentes sobre o texto final.
Senador diz ter votado contra
Portinho voltou à discussão e afirmou ter votado contra as bets.
Ele também disse que uma emenda de sua autoria buscava impedir modalidades semelhantes ao “Tigrinho” e atribuiu à Câmara a rejeição da proposta.
“Votei contra as bets.”
Carlos Portinho
A fala expressa a posição declarada pelo senador. A análise factual do histórico legislativo exige observar qual votação ele menciona e quais dispositivos estavam em discussão em cada momento.
Registros oficiais mostram várias votações
O Portal da Câmara mantém a relação das votações nominais de Benedita da Silva em 2023, incluindo projetos, requerimentos e destaques.
Esse histórico permite verificar atos legislativos específicos, mas não deve ser reduzido a uma única frase sem identificar o número da proposta e o conteúdo votado.
Em disputas políticas sobre projetos complexos, votar a favor de um texto principal não significa necessariamente apoiar todos os dispositivos, assim como votar contra um destaque não resume a posição sobre toda a matéria.
Por isso, alegações sobre “quem liberou” ou “quem proibiu” determinado jogo precisam ser vinculadas ao dispositivo concreto em discussão.
Debate eleitoral amplia repercussão
A troca de acusações ocorre durante a disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado em 2026.
Segundo pesquisa Datafolha citada pelo Metrópoles e divulgada em 11 de setembro, Benedita aparecia com 18% das intenções de voto.
Carlos Jordy e Carlos Portinho apareciam com 10% cada no levantamento. A pesquisa ouviu 1.204 eleitores entre 8 e 11 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
Esses números são uma fotografia daquele período e não constituem previsão do resultado eleitoral.
Apostas seguem em debate no Congresso
O tema das bets continua sendo objeto de propostas para restringir publicidade, mecanismos de promoção e formatos considerados mais agressivos.
Portinho tem defendido limitações a anúncios com influenciadores e artistas, além de regras mais duras para conteúdos associados a jogos de cassino on-line.
Benedita, por sua vez, rejeitou a forma como o senador atribuiu a ela responsabilidade pela expansão desses jogos.
A troca de acusações mostra como a regulamentação das apostas se tornou também um tema eleitoral. A avaliação sobre responsabilidades deve se apoiar nos textos aprovados, emendas e votações oficiais, e não apenas nas versões apresentadas pelos candidatos.


