A nova rodada do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17) mostra a disputa presidencial concentrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula registra 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio aparece com 36%. Considerada a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.
No cenário de segundo turno entre os dois, o instituto registra 46% para Lula e 44% para Flávio, repetindo exatamente os percentuais da rodada anterior, divulgada em 11 de setembro. O levantamento ouviu 2.002 eleitores de 16 anos ou mais em 125 municípios entre os dias 15 e 17 de setembro, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
Os resultados são uma fotografia das preferências declaradas durante o período das entrevistas e não constituem previsão do resultado da eleição. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e um eventual segundo turno para presidente ocorrerá em 25 de outubro, conforme calendário do Tribunal Superior Eleitoral.
Primeiro turno se estreita
Lula manteve os mesmos 39% registrados na pesquisa anterior, enquanto Flávio oscilou de 35% para 36%. A diferença nominal entre os dois, portanto, passou de quatro para três pontos percentuais.
Augusto Cury (Avante) permanece em terceiro lugar, com 6%. Ronaldo Caiado (PSD) registra 4%, Renan Santos (Missão) 3% e Romeu Zema (Novo) 2%. Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem com 1% cada. Os demais nomes testados não pontuaram ou ficaram abaixo de 1% na leitura divulgada.
Brancos, nulos e nenhum somam 6%, enquanto 3% dos entrevistados disseram não saber em quem votar. Como a margem de erro geral é de dois pontos, oscilações pequenas entre duas pesquisas precisam ser lidas com cautela.
| Primeiro turno se estreita | ||
|---|---|---|
| Cenário de 1º turno | 17 de setembro | 11 de setembro |
| Lula (PT) | 39% | 39% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 36% | 35% |
| Augusto Cury (Avante) | 6% | 6% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 4% | 4% |
| Renan Santos (Missão) | 3% | 3% |
| Romeu Zema (Novo) | 2% | 2% |
| Samara Martins (UP) | 1% | 1% |
| Rui Costa Pimenta (PCO) | 1% | 1% |
| Branco/nulo/nenhum | 6% | 6% |
| Não sabe | 3% | 4% |
Fonte: Datafolha.
Série mostra aproximação
A trajetória das últimas rodadas mostra estabilidade de Lula e avanço gradual de Flávio. Em 21 de agosto, o presidente tinha 39% e o senador, 33%. Em 3 de setembro, Lula oscilou para 38% e Flávio permaneceu em 33%. Na rodada de 11 de setembro, Lula voltou a 39% e Flávio alcançou 35%.
Agora, Lula continua em 39%, enquanto Flávio chega a 36%. Considerando apenas os valores centrais divulgados pelo instituto, a distância nominal caiu de seis pontos em 21 de agosto para três nesta quinta-feira.
Essa redução não deve ser interpretada isoladamente como movimento linear ou definitivo, porque cada resultado está sujeito à margem de erro e a variações amostrais. A leitura mais segura é que a disputa se tornou mais apertada no período observado.
| Série mostra aproximação | |||
|---|---|---|---|
| Rodada Datafolha | Lula | Flávio | Diferença nominal |
| 21 de agosto | 39% | 33% | 6 p.p. |
| 3 de setembro | 38% | 33% | 5 p.p. |
| 11 de setembro | 39% | 35% | 4 p.p. |
| 17 de setembro | 39% | 36% | 3 p.p. |
Fonte: Datafolha.
Segundo turno segue estável
Na simulação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o Datafolha registra 46% para o presidente e 44% para o senador. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro do levantamento, por isso o instituto caracteriza o cenário como empate técnico.
Os percentuais são os mesmos observados em 11 de setembro e também coincidem com a rodada de 3 de setembro. Em 21 de agosto, Lula tinha 47% e Flávio, 43%. A série, portanto, mostra pouca variação na simulação direta ao longo do último mês.
No segundo turno, o dado mais importante da rodada não é uma mudança de liderança, mas a manutenção de um cenário estatisticamente indefinido dentro da margem de erro.
| Segundo turno segue estável | ||
|---|---|---|
| Segundo turno Lula x Flávio | Lula | Flávio |
| 21 de agosto | 47% | 43% |
| 3 de setembro | 46% | 44% |
| 11 de setembro | 46% | 44% |
| 17 de setembro | 46% | 44% |
Fonte: Datafolha.
Rejeição dos dois chega a 47%
Além da intenção de voto, o levantamento mediu a rejeição dos candidatos. Lula e Flávio aparecem com o mesmo índice: 47% dos entrevistados dizem que não votariam neles de jeito nenhum.
Na rodada anterior, divulgada em 11 de setembro, ambos tinham 46% de rejeição. A oscilação de um ponto percentual está dentro da margem de erro, mas reforça que os dois candidatos concentram também os maiores níveis de resistência do eleitorado.
O Datafolha também mediu a avaliação do governo federal. A gestão Lula é considerada ruim ou péssima por 42%, ótima ou boa por 34% e regular por 23%. Na avaliação pessoal do presidente, 50% disseram reprovar Lula e 48% aprovar.
| Rejeição dos dois chega a 47% | |
|---|---|
| Indicador | Percentual |
| Rejeição a Lula | 47% |
| Rejeição a Flávio Bolsonaro | 47% |
| Governo Lula: ruim/péssimo | 42% |
| Governo Lula: ótimo/bom | 34% |
| Governo Lula: regular | 23% |
| Aprovação pessoal de Lula | 48% |
| Reprovação pessoal de Lula | 50% |
Fonte: Datafolha.
Recortes revelam bases distintas
A rodada imediatamente anterior, feita entre 8 e 10 de setembro, ajuda a mostrar como as bases dos dois principais candidatos se distribuem entre diferentes segmentos. Naquele levantamento, Lula tinha vantagem entre eleitores de menor renda, católicos, mulheres, pessoas com ensino fundamental e moradores do Nordeste.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, aparecia à frente entre evangélicos, homens, eleitores com renda superior a dois salários mínimos, moradores do Sul e do Norte/Centro-Oeste e pessoas com ensino médio ou superior em alguns recortes. Esses dados pertencem à rodada anterior e não devem ser automaticamente projetados sobre a pesquisa desta quinta-feira.
Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, Lula tinha 47% e Flávio, 27%. Na faixa de dois a cinco salários, Flávio aparecia com 42% e Lula, 31%. Entre quem ganhava acima de cinco salários, Flávio marcava 47% e Lula, 27%.
Por religião, Lula tinha 46% entre católicos, contra 29% de Flávio. Entre evangélicos, Flávio aparecia com 50%, ante 22% de Lula. Regionalmente, o maior diferencial de Lula estava no Nordeste, onde registrava 53% contra 25%.
| Recortes revelam bases distintas | ||
|---|---|---|
| Recorte da rodada de 11/9 | Lula | Flávio |
| Até 2 salários mínimos | 47% | 27% |
| De 2 a 5 salários mínimos | 31% | 42% |
| Acima de 5 salários mínimos | 27% | 47% |
| Católicos | 46% | 29% |
| Evangélicos | 22% | 50% |
| Nordeste | 53% | 25% |
Fonte: Datafolha, pesquisa de 8 a 10 de setembro.
Metodologia orienta leitura
O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores em 125 municípios entre terça-feira (15) e esta quinta-feira (17). As entrevistas foram presenciais, com questionário estruturado aplicado em pontos de fluxo populacional. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos no total da amostra, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026. O registro prévio é exigido pela legislação eleitoral para levantamentos de opinião pública divulgados durante o ano da eleição.
O TSE informa que 158.765.543 eleitores estão aptos a votar em 2026. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e o segundo, quando necessário para presidente e governadores, em 25 de outubro. A votação ocorrerá das 8h às 17h pelo horário de Brasília.
| Metodologia orienta leitura | |
|---|---|
| Ficha da pesquisa e eleição | Informação |
| Entrevistados | 2.002 eleitores |
| Municípios | 125 |
| Período de campo | 15 a 17 de setembro |
| Margem de erro | 2 pontos percentuais |
| Nível de confiança | 95% |
| Registro | BR-04029/2026 |
| 1º turno | 4 de outubro de 2026 |
| 2º turno, se houver | 25 de outubro de 2026 |
| Eleitorado apto | 158.765.543 |
Fonte: Datafolha e TSE.
Com 17 dias até o primeiro turno, a fotografia do Datafolha mostra uma disputa mais comprimida no primeiro turno e praticamente estável no segundo. O instituto, porém, não projeta resultado final: novas pesquisas podem registrar mudanças conforme a campanha avança, e apenas a votação oficial apurada pela Justiça Eleitoral definirá o desfecho da eleição.


