Presidentes de clubes de futebol procuraram ministros do governo Lula para manifestar preocupação com a possibilidade de novas restrições às apostas esportivas e aos jogos de cassino on-line. A movimentação ocorreu após a circulação de informações de que o Palácio do Planalto discute uma medida provisória para endurecer as regras do setor.
Segundo a apuração publicada nesta sexta-feira, 18 de setembro, alguns dirigentes ligaram para integrantes do núcleo político do governo na tarde de quinta-feira. A resposta recebida foi de que ainda não há definição sobre o formato de uma eventual medida.
Clubes procuram ministros do governo
Os contatos ocorreram depois de dirigentes tomarem conhecimento de discussões internas sobre novas medidas para o mercado de apostas.
A preocupação dos clubes está concentrada sobretudo nos contratos de patrocínio e na possibilidade de redução de receitas caso o governo imponha limites mais duros ao setor.
Os ministros procurados não anunciaram decisão fechada. A informação repassada aos dirigentes foi de que o tema segue em análise.
Até agora, não há medida provisória publicada nem definição oficial sobre proibição de apostas esportivas ou de publicidade em camisas de clubes.
Patrocínios alimentam reação dos clubes
As casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro nos últimos anos.
Atualmente, 13 clubes da Série A têm contratos de patrocínio master com empresas do setor, segundo levantamento citado nas discussões desta semana.
A estimativa dos dirigentes é de impacto próximo de R$ 1 bilhão apenas nessa linha de receita caso haja uma interrupção abrupta dos contratos.
Os clubes também argumentam que o dinheiro das bets influencia outras áreas, como publicidade em transmissões e investimentos de empresas que compram direitos esportivos.
Manifesto defende mercado regulado
Depois de reunião realizada na quinta-feira, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa da manutenção do mercado legalizado de apostas.
Entre os participantes e signatários citados estão Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, São Paulo e Santos, além de federações estaduais.
“A extinção das bets não acabará com as apostas esportivas no país.”
Manifesto de clubes e entidades do futebol
O argumento central do documento é que uma proibição poderia deslocar jogadores para plataformas ilegais, reduzindo arrecadação e fiscalização.
Governo discute impacto social
Do lado do governo, o debate é impulsionado pelo impacto das apostas sobre renda familiar, endividamento e dependência em jogos.
Integrantes da gestão Lula vêm discutindo medidas que podem incluir restrições à publicidade e regras mais duras para modalidades de cassino on-line.
O presidente Lula já manifestou preocupação pública com os efeitos sociais das apostas, e o tema também passou a aparecer em sua comunicação eleitoral.
Ao mesmo tempo, integrantes do governo divergem sobre o alcance das medidas e sobre os efeitos econômicos de uma mudança abrupta.
Proibição ainda não está definida
Apesar do temor dos clubes, a discussão não está encerrada e não há texto final conhecido.
A reportagem do Metrópoles informa que, por ora, o governo não avalia proibir publicidade de bets nas camisas dos clubes.
Outras frentes, como jogos de cassino on-line e publicidade mais ampla, continuam em debate.
Por isso, o movimento dos dirigentes ocorre de forma preventiva, antes que qualquer proposta oficial seja apresentada ao Congresso ou publicada pelo Executivo.
Pressão deve continuar nos próximos dias
A tendência é que clubes, federações e empresas do setor intensifiquem a interlocução com o governo enquanto o desenho de uma eventual medida não estiver fechado.
Os dirigentes defendem que o problema do mercado ilegal e da dependência seja enfrentado com fiscalização, prevenção e regras de proteção ao consumidor.
Já integrantes do governo sustentam que o avanço das apostas exige resposta diante de impactos sociais e financeiros.
O embate, portanto, envolve interesses econômicos relevantes e também uma discussão pública sobre saúde, endividamento e regulação. A decisão final ainda dependerá do formato escolhido pelo Executivo.


