O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) fez nesta sexta-feira, 18 de setembro, um apelo direto aos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) para que migrem para sua candidatura na reta final do primeiro turno. A declaração foi feita durante agenda em São Paulo e se insere na disputa pelo chamado voto útil.
Cury afirmou ser o nome mais capaz de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. Essa avaliação é uma alegação de campanha e não pode ser tratada como conclusão objetiva, especialmente porque pesquisas recentes mostram cenários variados e margens de erro que impedem afirmar qual candidato teria maior competitividade de forma definitiva.
Cury tenta atrair eleitor bolsonarista
O pedido representa uma mudança de ênfase na estratégia de Cury, que tenta avançar sobre uma parcela do eleitorado atualmente inclinada a Flávio Bolsonaro.
O candidato do Avante argumentou que eleitores de direita deveriam considerar sua candidatura como alternativa para derrotar Lula.
A fala ocorre a pouco mais de duas semanas da votação de 4 de outubro, quando campanhas intensificam movimentos para consolidar ou ampliar suas bases.
O apelo também reflete a disputa por votos entre candidatos que ocupam posições distintas fora do núcleo mais consolidado de Lula e Flávio.
Pesquisas mostram Cury em terceiro
Levantamentos recentes colocam Augusto Cury em terceiro lugar ou no grupo intermediário da corrida presidencial, mas com percentuais abaixo dos dois primeiros colocados.
No Datafolha mais recente, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 36%, enquanto Cury marca 6%.
Outros institutos, como AtlasIntel, Quaest, BTG/Nexus e CNT/MDA, também mostram Cury com desempenho variável, geralmente abaixo de 10%.
As diferenças entre pesquisas decorrem de metodologias, períodos de coleta e margens de erro distintas.
Candidato questiona levantamentos eleitorais
Durante a agenda, Cury voltou a demonstrar desconfiança em relação às pesquisas de intenção de voto.
Ele afirmou que seus números reais seriam superiores aos registrados pelos institutos.
Não apresentou, porém, levantamento próprio com metodologia pública que sustentasse essa avaliação.
As pesquisas registradas no TSE são fotografias do momento da coleta e não permitem prever com certeza o resultado da eleição.
Voto útil ganha espaço final
A reta final do primeiro turno costuma intensificar apelos por voto útil entre candidatos que buscam concentrar eleitores em torno de nomes considerados mais competitivos.
Lula e Flávio Bolsonaro também vêm adotando estratégias para atrair eleitores de candidaturas menores.
No caso de Cury, o alvo declarado agora é parte do eleitorado de Flávio, movimento que pode ampliar o conflito dentro do campo de oposição ao presidente.
O efeito dessa estratégia dependerá da capacidade do candidato de converter intenção declarada em migração efetiva de votos até o dia da eleição.
Cury também critica atuação do STF
Além do apelo eleitoral, Cury criticou o Supremo Tribunal Federal durante a agenda em São Paulo.
Ele mencionou o pedido de vista do ministro Flávio Dino em um julgamento e reclamou da demora em decisões próximas ao período eleitoral.
O candidato também defendeu que ministros do STF tenham mandatos com prazo definido.
A proposta apresentada por Cury prevê mandatos de oito anos, mudança que exigiria alteração constitucional.
Disputa segue aberta no primeiro turno
As pesquisas mais recentes apontam uma corrida concentrada principalmente entre Lula e Flávio Bolsonaro, com Cury em posição intermediária.
Isso não impede alterações de preferência até o dia da votação, mas também não autoriza concluir previamente qual nome teria melhor desempenho em eventual segundo turno.
O apelo de Cury deve ser lido como parte da estratégia eleitoral de sua campanha para ampliar espaço e tentar se consolidar como alternativa competitiva.
Até o primeiro turno, campanhas seguirão disputando indecisos, eleitores menos convictos e votos de candidatos com menor desempenho nas pesquisas.


