O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra Flávio Bolsonaro (PL) durante comício em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, nesta quinta-feira (17). Em vez de centrar o discurso no senador, Lula afirmou que prefere ser comparado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e usou o histórico do governo anterior e da tentativa de golpe como eixo do confronto eleitoral.
A fala ocorreu a pouco mais de duas semanas do primeiro turno e em um estado tratado como estratégico pelas duas campanhas. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e recebeu atenção crescente de Lula ao longo da campanha.
Lula endurece ataque a Flávio
O ponto mais duro do discurso foi dirigido diretamente ao candidato do PL. Lula tentou reduzir a estatura política do adversário ao mesmo tempo em que deslocava a comparação para o pai dele.
Não quero ser comparado com o Flávio, porque ele não é ninguém. Quero ser comparado com o pai dele.
Luiz Inácio Lula da Silva
Na sequência, o presidente afirmou que Jair Bolsonaro tentou impedir a transição de poder e relacionou o ex-presidente aos planos golpistas investigados e julgados pelo Supremo Tribunal Federal. Lula também disse que houve uma trama para matá-lo, além de Geraldo Alckmin e do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes.
O ataque combina uma provocação direta a Flávio com uma estratégia de transformar a eleição atual em comparação entre os governos Lula e Jair Bolsonaro.
Plano de assassinato foi investigado
A referência feita por Lula tem base em processos julgados no STF, embora a responsabilidade individual por cada etapa precise ser descrita com precisão. Na ação sobre o Núcleo 2 da tentativa de golpe, o Supremo registrou que o plano conhecido como Punhal Verde e Amarelo previa monitoramento e assassinato de autoridades.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, o plano previa a morte de Lula, então presidente eleito, de Geraldo Alckmin e de Alexandre de Moraes. O STF também registrou, em julgamentos posteriores, que integrantes da trama participaram do monitoramento das autoridades e do planejamento de ações violentas.
Jair Bolsonaro foi condenado na ação do Núcleo 1 da tentativa de golpe a 27 anos e três meses de prisão. A condenação tornou-se definitiva, e a defesa apresentou em 2026 uma revisão criminal com o objetivo de anulá-la, modificar a classificação dos crimes ou reduzir a pena.
A revisão está sob relatoria do ministro Nunes Marques e não apaga automaticamente os efeitos da condenação enquanto não houver decisão que a modifique.
Flávio tenta sustentar campanha própria
Flávio Bolsonaro concorre com forte associação ao capital político construído pelo pai, mas procura afirmar identidade própria na disputa presidencial. Sua campanha combina defesa do legado bolsonarista com propostas e críticas específicas ao governo Lula.
Ao atacar o senador dessa forma, Lula procura impedir que a disputa seja lida apenas como confronto entre duas candidaturas de 2026. O petista tenta colocar no centro do debate o período de Jair Bolsonaro na Presidência e os desdobramentos judiciais posteriores.
Flávio, por sua vez, tem concentrado parte de seus ataques recentes no governo federal, no Supremo e em temas ligados ao Banco Master. O enfrentamento retórico entre as campanhas aumentou à medida que pesquisas mostraram redução da distância entre os dois principais candidatos.
Minas ganha peso na reta final
A campanha de Lula passou a dedicar atenção especial a Minas Gerais. A ida a Montes Claros foi o terceiro comício do presidente no estado durante o primeiro turno, depois de duas passagens por Belo Horizonte.
No mesmo dia, Lula participou de agendas relacionadas a políticas sociais e de saúde, incluindo a defesa de oferta de medicamentos contra obesidade pelo SUS e o anúncio de reajuste do Bolsa Família.
A concentração de compromissos em Minas ocorre num momento em que a disputa presidencial está apertada em levantamentos nacionais. Pesquisas eleitorais representam fotografias do momento da coleta e não determinam o resultado do pleito.
Com a declaração desta quinta-feira, Lula deixou explícito que pretende usar Jair Bolsonaro como principal referência de comparação política na reta final, mesmo tendo Flávio como adversário formal na urna.


