Venezuela libera acesso a dez portais de notícias após anos de bloqueios digitais

Conatel determinou a reativação dos domínios em operadoras do país, mas organizações de monitoramento dizem que a maior parte das restrições continua ativa

Da
Redação
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El levantamiento de los bloqueos no borra las huellas de 12 años de censura/ Composición hecha con IA bajo parámetros suministrados por equipo de redacción
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A Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela, a Conatel, determinou nesta quinta-feira (17) o restabelecimento do acesso a pelo menos dez portais de notícias que estavam bloqueados no país havia anos. A medida permitiu que usuários de diferentes operadoras voltassem a abrir diretamente sites como El Pitazo, Efecto Cocuyo e RunRunes sem recorrer a redes privadas virtuais, espelhos ou outros mecanismos usados para contornar a censura digital.

O desbloqueio representa uma mudança relevante na política de restrição a conteúdos online, mas não encerra o sistema de bloqueios. Organizações de monitoramento informaram que centenas de domínios continuavam com algum tipo de limitação de acesso, incluindo dezenas de sites jornalísticos, páginas de organizações de direitos humanos e ferramentas digitais.

Conatel ordena liberação

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, a Conatel informou que notificou provedores de internet para habilitar os domínios de vários portais informativos. O órgão afirmou que a medida buscava restabelecer a disponibilidade direta desses espaços dentro das redes de telecomunicações venezuelanas.

O Ministério da Comunicação declarou que a decisão ocorreu depois de consultas com representantes de veículos públicos, privados, alternativos e outros atores do setor. O governo interino de Delcy Rodríguez apresenta a medida como parte de um processo de abertura e diálogo.

Veículos e organizações de imprensa, porém, destacaram que o desbloqueio também confirma que as restrições vinham sendo executadas por meio de decisões administrativas capazes de ser revertidas pelas próprias autoridades.

O desbloqueio devolve acesso direto a parte da imprensa digital, mas ainda alcança apenas uma fração dos endereços que permanecem restritos no país.

Dez portais voltam ao ar

Os levantamentos mostraram diferenças entre operadoras como Cantv, Movistar e Digitel. Em alguns casos, um portal já podia ser acessado normalmente por uma rede enquanto permanecia limitado em outra, efeito comum quando as técnicas de bloqueio variam entre DNS, HTTP, HTTPS e endereço IP.

Dez portais voltam ao ar
Portal Situação reportada
El Pitazo Desbloqueado
Efecto Cocuyo Desbloqueado
RunRunes Desbloqueado
Crónica Uno Desbloqueado
El Estímulo Desbloqueado
Monitoreamos Desbloqueado
Alberto News Desbloqueado
EFE Noticias Desbloqueado ou parcialmente liberado, conforme operadora
Caraota Digital Desbloqueado ou parcialmente liberado, conforme operadora
Revista Semana Desbloqueado ou parcialmente liberado, conforme operadora

Fonte: VE Sin Filtro, conforme levantamentos publicados por El Pitazo e Efecto Cocuyo.

Seu primeiro domínio havia sido bloqueado há nove anos. Depois disso, o veículo precisou trocar endereços, usar versões alternativas e orientar leitores sobre ferramentas para superar as restrições.

Maioria segue bloqueada

O levantamento de organizações de monitoramento mostra que a abertura ainda é parcial. Dados publicados nesta quinta-feira indicavam que cerca de 192 domínios permaneciam inacessíveis depois das primeiras liberações. Desse total, dezenas estavam associados a notícias e meios de comunicação.

Antes do anúncio, registros independentes apontavam mais de 200 domínios bloqueados. A lista incluía jornais, plataformas independentes, sites internacionais e páginas relacionadas a direitos humanos.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa e outras entidades defenderam que a medida seja estendida a todos os portais afetados. Para essas organizações, a liberação de uma lista limitada não resolve o problema de acesso à informação acumulado ao longo de anos.

A Repórteres Sem Fronteiras mantém a Venezuela entre os países com pior desempenho no índice global de liberdade de imprensa. Em 2026, o país aparece na 159ª posição entre 180 avaliados.

Pressão antecede mudança

Representantes de sindicatos, associações profissionais e organizações da sociedade civil vinham pressionando pela retirada dos bloqueios. Desde março, grupos ligados à imprensa participaram de reuniões no chamado Programa para a Paz e a Convivência Democrática e apresentaram pedidos de restabelecimento do acesso aos portais.

Em maio, entidades do setor também levaram diretamente a Delcy Rodríguez uma lista de medidas consideradas necessárias para recuperar garantias de liberdade de expressão. Entre as reivindicações estavam o fim dos bloqueios, maior acesso a informações públicas e redução de discursos hostis contra jornalistas.

A decisão desta quinta-feira coincidiu com uma nova rodada de diálogo político entre representantes da oposição e do chavismo. Liberdade de expressão e garantias políticas estavam entre os temas previstos para as conversas.

A extensão real da abertura dependerá do comportamento das operadoras e de novas decisões da Conatel. Organizações que acompanham a censura digital afirmam que continuarão testando os domínios para verificar se o desbloqueio se mantém de forma estável e se outros portais também serão liberados.

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