Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, tornou-se um dos principais alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira, 17, para investigar suspeitas de atuação do PCC em empresas de ônibus da capital. Com longa trajetória na política paulistana e forte presença no debate sobre transporte público, Leite teve prisão temporária decretada. Ele nega as acusações e afirmou que se apresentaria às autoridades.
Trajetória passa pela Câmara
Milton Leite construiu carreira política na zona sul de São Paulo e acumulou mandatos consecutivos de vereador. Ao longo desse período, ampliou influência sobre a Câmara e chegou à presidência da Casa por seis anos.
Sua atuação ficou particularmente associada a temas de transporte coletivo, relações com empresas de ônibus e negociações envolvendo a SPTrans. Essa proximidade política com o setor passou a ser um dos elementos observados na investigação atual.
Mesmo sem mandato eletivo no momento, Leite continua ativo na política partidária e preside o diretório municipal do União Brasil. Familiares e aliados também ocupam espaço relevante na política paulista.
Operação cumpre mandados
A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal de Justiça.
Além de Milton Leite, outros alvos incluem pessoas ligadas à administração do sistema de transportes e ao setor empresarial. A investigação procura identificar eventuais conexões entre agentes públicos, empresas e integrantes do crime organizado.
O fato de uma pessoa ser alvo de mandado não equivale a condenação. As suspeitas precisam ser comprovadas ao longo da investigação e submetidas ao Judiciário.
Leite nega envolvimento
Milton Leite negou ter ligação com o PCC e afirmou que nunca foi dono de empresa de ônibus. Disse também que sua interlocução com a SPTrans ocorreu por razões políticas e administrativas em períodos de crise no sistema.
O ex-vereador declarou que estava no interior de São Paulo e que pretendia se apresentar ainda nesta quinta-feira. Também rejeitou a caracterização de que estivesse foragido.
A defesa deverá ter acesso aos elementos que fundamentaram as medidas cautelares e poderá questionar a necessidade da prisão temporária e outras providências adotadas na operação.
Transporte vira foco
A investigação se insere em uma sequência de apurações sobre possível infiltração de organizações criminosas em atividades econômicas formais. O transporte coletivo chama atenção porque movimenta contratos públicos, subsídios e grande volume financeiro.
Empresas de ônibus da capital operam sob contratos e fiscalização municipal. Suspeitas de participação de facções podem envolver lavagem de dinheiro, controle societário oculto, corrupção ou influência sobre decisões administrativas, a depender das provas reunidas.
O caso deve avançar com análise de documentos apreendidos, depoimentos e dados financeiros. O resultado da investigação definirá se haverá denúncia criminal e contra quais pessoas.
As diligências da operação ainda estão em curso e as responsabilidades individuais dependem do avanço da investigação e de decisões judiciais. Milton Leite negou irregularidades e afirmou que se apresentaria às autoridades. O caso também recoloca em foco a estrutura do transporte coletivo paulistano, setor no qual o ex-vereador construiu parte relevante de sua trajetória política e de sua influência pública.


