Operação mira PCC e apura financiamento de campanhas em São Paulo

Ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público cumpre mandados de prisão e investiga a infiltração de facção criminosa no setor de transportes públicos.

Da
Redação
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Ação conjunta investiga a atuação de organização criminosa no setor de transportes e na política paulista.
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A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17) uma operação para investigar a atuação de uma facção criminosa em estruturas do poder público e em empresas de transporte coletivo por ônibus. A investigação aponta que membros do grupo criminoso detinham poder de decisão sobre aportes financeiros em campanhas políticas no estado.

A ordem judicial que determinou prisões temporárias destaca que doze das vinte e duas empresas de ônibus do sistema municipal paulista estariam sob controle da organização criminosa. Entre os alvos da operação está o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, cuja prisão temporária foi decretada pela Justiça.

Investigação aponta controle de viações

As apurações indicam que as empresas de transporte coletivo passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações públicas. Os investigadores analisaram materiais apreendidos, incluindo o aparelho celular de um dos operadores suspeitos de ligação com o esquema, revelando contatos com agentes políticos.

Os diálogos periciados mencionam articulações voltadas a campanhas eleitorais, negociações envolvendo o setor de transportes e possíveis facilidades junto a órgãos estaduais. A decisão judicial aponta ainda menções a pagamentos de vantagens indevidas para garantir contratações emergenciais de empresas ligadas aos investigados.

Defesa nega acusações e ligações

Fora de São Paulo no momento da deflagração da operação, o ex-vereador Milton Leite negou veementemente todas as imputações feitas pela Justiça e afirmou que pretende se apresentar às autoridades. A defesa do político sustenta que sua relação com o setor de transportes ocorreu de forma estritamente institucional.

Em nota oficial, a empresa Transwolff também refutou qualquer envolvimento criminoso e argumentou que o ex-parlamentar nunca integrou a sociedade ou participou da gestão da companhia. A viação afirmou que as intervenções administrativas anteriores decorreram exclusivamente de questões financeiras sanáveis.

Prefeitura colabora com apurações

A gestão municipal informou que a intervenção realizada em abril de 2024 na empresa Transwolff representou uma medida firme para proteger o sistema de transporte coletivo. A administração municipal destacou que colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo documentos e esclarecimentos necessários.

As autoridades policiais reforçam que o atual desdobramento resulta de investigações prolongadas sobre lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e corrupção de agentes públicos. O material apreendido passa por novas análises para aprofundar o alcance das fraudes licitatórias identificadas no interior paulista.

Desdobramentos e novas fases

A ofensiva desta quinta-feira decorre de etapas anteriores que já resultaram em denúncias formais e condenações judiciais relacionadas ao avanço da facção sobre serviços públicos essenciais. O avanço das diligências busca desarticular a rede de apoio jurídica e financeira mantida pelo grupo criminoso.

A Justiça prossegue com a análise das provas coletadas para individualizar a conduta de cada investigado e esclarecer a extensão das fraudes em contratos administrativos municipais e estaduais.

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