O PL repassou R$ 91,6 milhões a seus candidatos ao Senado desde o início da campanha eleitoral de 2026, valor que corresponde a quase o dobro dos R$ 48,2 milhões distribuídos pelo PT para a mesma disputa. Os números foram obtidos a partir das prestações de contas apresentadas pelas legendas à Justiça Eleitoral e revelam diferenças tanto no volume financeiro quanto na quantidade de candidaturas alcançadas pelas direções nacionais dos dois partidos.
Os recursos do PL chegaram a 30 candidatos espalhados por 24 unidades da Federação. O PT, por sua vez, financiou 18 candidatos em 15 estados e no Distrito Federal. A diferença entre os repasses das duas legendas é de R$ 43,4 milhões.
A atenção das siglas à disputa ocorre em uma eleição na qual 54 das 81 cadeiras do Senado serão renovadas. Cada estado e o Distrito Federal escolherão dois representantes, com mandatos de oito anos. Ao todo, 315 candidatos disputam as vagas neste ano.
PL amplia os repasses
Além do maior volume financeiro entre as duas legendas, o PL também apresenta maior alcance territorial nos repasses feitos pela direção nacional. O partido financiou candidaturas em 24 unidades da Federação e reúne nove dos 15 candidatos ao Senado que mais receberam recursos das direções partidárias.
O dinheiro destinado pelo PL não foi distribuído de maneira uniforme entre as campanhas. Entre os maiores beneficiários está André do Prado, candidato da legenda em São Paulo, que recebeu R$ 6 milhões da direção nacional. O valor o coloca entre as campanhas com maior transferência partidária para o Senado neste ano.
A concentração dos repasses também aparece regionalmente. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais reúnem nove dos 15 candidatos que mais receberam dinheiro das direções nacionais, considerando as diferentes legendas presentes na disputa.
PT alcança menos campanhas
O PT distribuiu R$ 48,2 milhões para 18 candidatos ao Senado. Os recursos chegaram a 15 estados e ao Distrito Federal, uma presença territorial menor que a registrada pelo PL até o período analisado nas prestações de contas.
Os maiores repasses da direção nacional petista foram destinados a Benedita da Silva, candidata no Rio de Janeiro, e Marília Campos, em Minas Gerais. Cada uma recebeu aproximadamente R$ 5,34 milhões. Eliziane Gama, no Maranhão, recebeu R$ 4,25 milhões, enquanto Gleisi Hoffmann, no Paraná, teve R$ 4 milhões transferidos pelo partido.
Erika Kokay, candidata no Distrito Federal, e Samanda Alves, no Rio Grande do Norte, aparecem na sequência entre os maiores repasses do PT, com aproximadamente R$ 3,43 milhões para cada campanha. Os valores declarados podem continuar sendo atualizados durante o período eleitoral.
Fundo dá vantagem ao PL
A diferença nos repasses ocorre em um cenário no qual o próprio PL dispõe da maior parcela do Fundo Especial de Financiamento de Campanha em 2026. O Tribunal Superior Eleitoral informou que a legenda ficou com R$ 881,7 milhões do fundo, cerca de 17,8% do total disponibilizado para as eleições deste ano.
O PT recebeu a segunda maior cota, com R$ 615,4 milhões. A diferença entre os recursos totais destinados às duas legendas supera R$ 266 milhões. Esses montantes não são exclusivos das candidaturas ao Senado e também financiam outras disputas eleitorais conforme as regras e os critérios definidos pelos partidos.
O Fundo Eleitoral de 2026 soma cerca de R$ 4,9 bilhões. Pela legislação, a distribuição entre as legendas considera fatores como desempenho nas eleições para a Câmara dos Deputados e representação partidária no Congresso Nacional, além de uma parcela dividida de forma igualitária.
São Paulo concentra dinheiro
São Paulo aparece como a unidade da Federação com maior volume de recursos transferidos pelas direções nacionais aos candidatos ao Senado analisados no levantamento. As campanhas paulistas somam aproximadamente R$ 27,6 milhões em repasses partidários.
O Rio de Janeiro aparece na sequência, com R$ 24,8 milhões, seguido por Minas Gerais, com R$ 21,9 milhões. O Distrito Federal reúne R$ 17,2 milhões, enquanto o Rio Grande do Sul registra R$ 16,6 milhões.
A maior transferência individual identificada entre as candidaturas analisadas foi destinada a Simone Tebet, do PSB, em São Paulo, com R$ 6,5 milhões. André do Prado, do PL, recebeu R$ 6 milhões, enquanto Guilherme Derrite, do PP, teve R$ 5,9 milhões repassados pela direção nacional de sua legenda.
Senado ganha peso eleitoral
As direções nacionais dos partidos analisados já transferiram ao menos R$ 365,1 milhões para candidatos ao Senado. O volume corresponde a uma média aproximada de R$ 6,8 milhões para cada uma das 54 cadeiras em disputa, embora os recursos estejam distribuídos de maneira desigual entre partidos, estados e candidatos.
A eleição deste ano renovará dois terços do Senado. Dos 315 candidatos registrados para a disputa, 32 são senadores em exercício que tentam a reeleição. A quantidade de concorrentes também varia entre as unidades da Federação, conforme o número de candidaturas registradas em cada estado.
Os repasses partidários fazem parte das receitas declaradas pelas campanhas e podem ser acompanhados por meio dos sistemas de prestação de contas da Justiça Eleitoral. As informações são atualizadas ao longo do período eleitoral, o que significa que os valores destinados por PL, PT e outras legendas ainda podem mudar até a apresentação das contas finais.


