O Conselho Curador do FGTS aprovou a suplementação de R$ 500 milhões no orçamento voltado para descontos nas faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida. Com essa decisão, a verba total disponível para abatimentos no programa habitacional passa de R$ 12,5 bilhões para R$ 13 bilhões ao longo de 2026.
A medida atende diretamente a uma demanda apresentada pela Cbic para assegurar a continuidade das contratações. Dos recursos inicialmente previstos, cerca de R$ 7,8 bilhões já haviam sido utilizados até julho, conforme o levantamento da entidade setorial.
O desconto concedido com recursos do FGTS é fundamental para reduzir esse valor e viabilizar a compra da moradia, afirma Eduardo Aroeira Almeida, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.
Projeções de atendimento
Segundo Johnny Ferreira dos Santos, coordenador-geral de Gestão do FGTS e colegiados do Ministério das Cidades, o valor adicional irá diretamente para compor os subsídios e descontos concedidos às famílias de menor renda.
Em julho, 32,3 mil famílias foram beneficiadas com descontos que somaram quase R$ 1,1 bilhão. Até julho de 2026, mais de 200 mil famílias já haviam sido atendidas pelo programa.
A projeção oficial do Ministério das Cidades é alcançar um total de 376 mil famílias beneficiadas com os abatimentos até o encerramento deste ano.
Impacto no mercado
O Minha Casa, Minha Vida segue como o principal motor do mercado imobiliário brasileiro, sustentando o volume de lançamentos em um cenário de juros elevados. No segundo trimestre, mais de 62 mil unidades lançadas estavam enquadradas no programa.
Esse volume representou 58% do total de lançamentos do período, marcando a maior participação da série histórica iniciada em 2019. A concentração ocorreu principalmente nas regiões Norte, Sudeste e Nordeste.
Analistas apontam que a tendência de alta participação deve se manter caso as taxas básicas de juros permaneçam em patamares elevados nos próximos meses.
Novos prazos de crédito
Além dos aportes para habitação popular, o Conselho Curador aprovou a proposta de ampliação do prazo máximo de amortização para 30 anos em linhas complementares.
A medida atinge programas como Pró-Moradia, Saneamento Básico, Pró-Transporte e Pró-Cidades, que anteriormente limitavam o pagamento a 20 anos.
De acordo com o governo federal, a mudança alinha os prazos às características de cada modalidade e atende a pleitos antigos dos setores envolvidos.


