Super El Niño divide o Brasil entre chuvas extremas e seca severa

Boletim climático aponta intensificação do fenômeno com impactos contrastantes pelo país, unindo temporais no Sul e escassez no Norte.

Da
Redação
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O evento climático El Niño avança em intensidade e promete alterar de forma drástica o regime de chuvas e temperaturas em território nacional nos próximos meses. Os efeitos variam amplamente conforme a região do país, combinando excesso de água e estiagem prolongada.

Enquanto algumas áreas sofrerão com chuvas fortes, outras serão atingidas pela grande seca, conforme apontou boletim divulgado pelo Instituto ClimaInfo. O cenário exige atenção redobrada das autoridades de Defesa Civil em diferentes estados.

A intensificação das anomalias térmicas no Oceano Pacífico acende o alerta para eventos extremos prolongados. Especialistas monitoram de perto a evolução da temperatura das águas oceânicas.

Efeitos devastadores no Norte

A região Norte do país já predomina com calor intenso e seca persistente em decorrência do avanço do fenômeno climático. Em Roraima, o Serviço Geológico do Brasil aponta uma chance muito pequena de recuperação do Rio Branco nos próximos meses.

Durante os meses de julho e agosto, o volume de chuvas na bacia atingiu apenas 45% do esperado para o período. Em diversas localidades ao longo do curso d’água, o rio permanece perigosamente perto das mínimas históricas registradas.

Segundo projeções divulgadas pelo Inmet, esse panorama desafiador deve permanecer inalterado no Norte e no Nordeste do país até o mês de novembro, agravando a escassez hídrica.

Déficit hídrico no Nordeste

No Nordeste, o déficit de água acumulado no solo deve marcar 150 milímetros no Ceará e no centro-norte do Piauí. O impacto também atinge a faixa oeste do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Estados como Pernambuco e Alagoas entram na mesma zona de atenção devido à falta de chuvas regulares. A agricultura familiar e o abastecimento local enfrentam restrições severas decorrentes da estiagem.

A persistência dessas condições climáticas desfavoráveis limita a recarga de reservatórios importantes para a sustentabilidade hídrica da região nordestina nos próximos meses.

Temporais no Sul e Sudeste

Já na região Sudeste, a perspectiva de precipitações muda radicalmente em comparação com o semiárido e o Norte. A chuva permanecerá acima da média histórica em São Paulo, com temporais isolados no norte de Minas Gerais.

As atenções principais, no entanto, voltam-se para a região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul. O território gaúcho deve registrar um excedente de água no solo de 150 mm em outubro, com forte incidência de temporais.

No Paraná, os temporais recentes já afetaram mais de 21 mil pessoas com estragos materiais. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o mês de setembro registrou acumulados históricos de chuva e ocorrências graves.

Aquecimento do Oceano Pacífico

Uma anomalia térmica significativa foi registrada na região central do Pacífico, quando a temperatura atingiu 2 °C. O recorde sucede meses em que o indicador permaneceu estacionado em 1,8 °C.

Segundo o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a probabilidade de uma ocorrência muito forte do fenômeno nos próximos trimestres é estimada em 90%. O aquecimento global das águas altera diretamente a circulação dos ventos.

O El Niño ocorre justamente quando há um aquecimento anômalo das águas do Pacífico. Esse processo enfraquece os ventos alísios, espalha a água quente e desregula o clima em escala global.

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