O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro confirmou o nome de Leonardo Avalanche como candidato ao Palácio do Planalto nas eleições presidenciais de 2026. Ele figurava originalmente como candidato a vice-presidente na chapa denominada Brasil Próspero, mas assumiu a cabeça da composição partidária após o Tribunal Superior Eleitoral indeferir o registro do empresário Pablo Marçal.
A mudança no comando da candidatura ocorre em função de o plenário da Corte Eleitoral ter considerado Marçal inapto para concorrer ao cargo executivo. O tribunal concluiu que o empresário não atendeu aos requisitos legais exigidos para a disputa presidencial e negou a homologação de sua postulação.
Com a deliberação do tribunal, o partido reformulou a estrutura de sua chapa nacional para garantir a presença da sigla na corrida ao Palácio do Planalto. Avalanche passa agora a liderar o projeto político do PRTB na disputa eleitoral deste ano.
TSE indefere registro de Marçal por unanimidade
O julgamento da candidatura de Pablo Marçal foi realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral em sessão virtual extraordinária na última sexta-feira. A relatora do processo, ministra Estela Aranha, votou pelo indeferimento do registro do candidato e teve seu entendimento acompanhado por todos os demais integrantes da Corte.
Acompanharam o voto da relatora os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Nunes Marques, André Mendonça, Antonio Carlos Ferreira, Dias Toffoli e Floriano de Azevedo Marques. Com o resultado unânime de sete votos a zero, o tribunal barrou a participação do empresário no pleito.
A contestação que levou ao indeferimento foi movida pelo Ministério Público Eleitoral, que apontou o descumprimento de regras indispensáveis para a validação da candidatura presidencial de Marçal.
Incompatibilidade partidária e inelegibilidade até 2032
Ao analisar a matéria, o Tribunal Superior Eleitoral concluiu que Marçal não cumpriu a condição de elegibilidade referente ao prazo de filiação partidária exigido pela legislação vigente. Além da questão formal de filiação, o tribunal reconheceu a incidência de causa de inelegibilidade do empresário até o ano de 2032.
O impedimento jurídico decorre de condenação motivada pela publicação massiva de vídeos curtos em redes sociais durante as eleições municipais de 2024, quando Marçal prometeu prêmios em dinheiro a produtores de conteúdo com maior engajamento. A Justiça Eleitoral caracterizou a prática como uso indevido dos meios de comunicação social, abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos.
Antes da deliberação do TSE, a defesa do empresário chegou a apresentar embargos de declaração ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo na tentativa de reverter a punição. No entanto, o tribunal regional rejeitou o recurso e manteve integralmente a condenação praticada no pleito municipal.
Trajetória de Avalanche e presidência do PRTB
Nascido em Anápolis, no estado de Goiás, em 1989, Leonardo Avalanche é analista de sistemas e formado em direito. Antes de ingressar na política partidária, o dirigente atuou no setor privado, assumindo em 2024 a presidência nacional do PRTB e a coordenação da campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo.
A trajetória de Avalanche no comando da legenda inclui controvérsias registradas durante a campanha municipal de 2024, quando foram divulgados áudios nos quais ele afirmava ter influência na soltura de André do Rap, apontado como liderança da facção criminosa Primeiro Comando da Capital.
Na ocasião, a repercussão do caso provocou o afastamento temporário do dirigente do comando da sigla. Avalanche negou a veracidade das gravações publicadas e sustentou que o material áudio fora gerado por meio de ferramentas de inteligência artificial.
Histórico de disputas judiciais e declaração de apoio
Em setembro de 2025, a Justiça Eleitoral de Goiás homologou uma decisão de expulsão de Avalanche do PRTB, nomeando o advogado Amauri Pinho para a presidência partidária. A sigla alegava que o dirigente respondia a acusações de tentativa de fraude processual, apresentação de documentos adulterados e litigância de má-fé.
Em fevereiro deste ano, contudo, a Justiça Eleitoral determinou a reversão da expulsão e reconduziu Avalanche ao cargo de presidente nacional da legenda. Poucos dias após retomar o posto, o dirigente declarou que indicaria Marçal para disputar a Presidência da República.
Mais recentemente, após decisão liminar permitir a saída de Marçal do União Brasil para retornar ao PRTB, Avalanche havia sido anunciado como vice-presidente da chapa Brasil Próspero. Com a rejeição definitiva do registro de Marçal pelo TSE, o presidente do PRTB assume a condição de candidato principal ao governo federal.


