Preços de importados nos EUA sobem 0,7% em agosto e pressionam inflação

Alta puxada por bens de capital e consumo superou projeções do mercado e reforça expectativas sobre alta de juros pelo Federal Reserve.

Da
Redação
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Preços de importados nos Estados Unidos subiram 0,7% em agosto impulsionados por bens de capital e de consumo.
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Os preços dos produtos importados pelos Estados Unidos registraram um avanço de 0,7% em agosto, impulsionados por aumentos nos custos de bens de capital e de consumo. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho do Ministério do Trabalho norte-americano, interrompeu uma sequência de dois meses consecutivos de queda no indicador.

Importações sobem acima das projeções do mercado

O avanço de 0,7% nos preços de importados nos Estados Unidos em agosto superou a estimativa média de analistas do mercado financeiro. De acordo com projeções apuradas em pesquisa da Reuters, a expectativa era de uma elevação mais moderada, de 0,4%, para o índice que desconsidera a incidência de tarifas alfandegárias.

Com a alta verificada no mês passado, o indicador reverteu a trajetória recente de recuo. Nos dois meses imediatamente anteriores, os preços dos itens trazidos do exterior haviam acumulado retração de 0,3% a cada período, refletindo um alívio pontual que não se sustentou nos dados mais recentes.

A mudança de rumo nos custos de importação acende novos alertas sobre a trajetória da inflação na maior economia do mundo. O encarecimento das mercadorias na entrada do país tende a repassar custos para o setor produtivo e para o consumidor final nos meses subsequentes.

Acumulado em 12 meses atinge maior alta desde 2022

No acumulado dos 12 meses encerrados em agosto, os preços de importados saltaram 7,0%. Trata-se da maior variação anual registrada pelo governo norte-americano desde agosto de 2022, acelerando em relação ao patamar observados no mês anterior, quando o indicador acumulava alta de 6,1% em julho.

O dado reforça o diagnóstico de pressão sobre os preços divulgado na semana passada pelo governo dos Estados Unidos. Os relatórios anteriores já haviam apontado uma aceleração nos índices de preços ao consumidor (CPI) e de preços ao produtor (PPI) referentes a agosto.

A combinação de aumentos na produção interna e na compra de insumos externos indica que o processo inflacionário continua disseminado. A persistência dessa trajetória dificulta a convergência da inflação para as metas estabelecidas pelas autoridades monetárias.

Inteligência artificial impulsiona bens de capital

Os bens de capital importados exerceram forte influência no resultado geral ao registrarem alta de 0,9% em agosto. O desempenho dá continuidade ao encarecimento do setor, que já havia subido 1,0% em julho.

Dentro desta categoria, as máquinas não elétricas tiveram elevação de 1,2% pelo segundo mês seguido. O avanço desses custos está diretamente associado ao boom de investimentos em inteligência artificial, que tem elevado de forma global a demanda e os preços de equipamentos tecnológicos essenciais para o setor.

Em outras categorias de importação, os movimentos foram mais moderados ou de queda. Os combustíveis importados caíram 0,1% em agosto, marcando o terceiro mês consecutivo de recuo, enquanto os alimentos importados tiveram ligeiro avanço de 0,1%. Já os preços de veículos automotores, peças e motores importados permaneceram inalterados no período.

Cenário geopolítico e emprego influenciam Federal Reserve

Além dos bens de capital, os bens de consumo importados — excluindo o segmento de automóveis — apresentaram alta de 0,5% em agosto. O resultado interrompe um ciclo prévio de dois meses seguidos de baixas na categoria de itens destinados ao consumo das famílias.

O ambiente econômico nos Estados Unidos é pressionado simultaneamente por choques externos e pelo dinamismo interno. O aumento nos preços do petróleo, derivado do conflito militar envolvendo os EUA e Israel contra o Irã, tem alimentado novos focos de pressão inflacionária global.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho norte-americano demonstrou força ao registrar ganhos de emprego acima do esperado em agosto. Diante da combinação de inflação persistente e mercado de trabalho aquecido, a expectativa no mercado é de que o Federal Reserve decida por um novo aumento na taxa de juros nesta quarta-feira.

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