Wall Street caiu nesta terça-feira (15), em um pregão marcado pela alta do petróleo, pelos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos acima de 5% e pela expectativa de uma elevação dos juros pelo Federal Reserve. Os três principais índices acionários americanos ampliaram as perdas da véspera.
O movimento ocorreu antes da conclusão da reunião de dois dias do banco central dos EUA, prevista para quarta-feira. O mercado financeiro precificava probabilidade superior a 95% de uma alta de 25 pontos-base na taxa básica, segundo a ferramenta FedWatch da CME.
Índices ampliam as perdas
O S&P 500 fechou em queda de 0,45%, aos 7.585,51 pontos, de acordo com dados preliminares. Já o Nasdaq Composite recuou 0,77%, para 25.983,58 pontos.
O Dow Jones Industrial Average teve baixa de 0,63% e encerrou a sessão aos 52.090,46 pontos. Assim, os três indicadores repetiram a direção negativa observada na segunda-feira.
O clima de aversão ao risco atingiu quase todos os setores do mercado acionário americano. A exceção foi o segmento de energia, beneficiado pela escalada dos preços do petróleo.
Os dados do pregão mostram a intensidade das perdas entre os principais índices.
| Fechamento dos índices de Wall Street | ||
|---|---|---|
| Índice | Variação | Fechamento |
| S&P 500 | -0,45% | 7.585,51 pontos |
| Nasdaq Composite | -0,77% | 25.983,58 pontos |
| Dow Jones | -0,63% | 52.090,46 pontos |
Petróleo sustenta o setor de energia
O setor de energia destoou do restante do mercado ao se beneficiar do encarecimento do petróleo. A alta da commodity ocorreu em meio à escalada das hostilidades no Oriente Médio.
O cenário incluiu novos ataques contra infraestrutura energética da Arábia Saudita. Ao mesmo tempo, a tensão geopolítica elevou a preocupação dos investidores com a oferta de energia.
Considerando o aumento dos preços dos combustíveis, especialmente do diesel, a perspectiva quase certa de alta nas taxas a partir de amanhã e as preocupações com uma possível desaceleração no ecossistema da IA, por que entrar no mercado de forma agressiva até que parte disso se esclareça?”
Peter Tuz, presidente da Chase Investment Counsel
Nas duas semanas anteriores ao pregão, os preços do petróleo bruto dos Estados Unidos avançaram quase 25%. Esse salto reforçou as pressões sobre os custos de combustíveis, especialmente do diesel.
A alta do petróleo e dos rendimentos dos títulos americanos reduziu o apetite por ações em Wall Street.
Juros pressionam decisões dos investidores
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA acima de 5% estiveram entre os fatores que mantiveram compradores fora do mercado acionário. Além disso, cresceram as preocupações em torno da dívida.
Para Peter Tuz, presidente da Chase Investment Counsel, em Charlottesville, na Virgínia, o conjunto de incertezas desestimula uma entrada agressiva no mercado. Ele citou o aumento dos preços dos combustíveis, a expectativa de alta dos juros e o risco de desaceleração no ecossistema de inteligência artificial.
Os dados econômicos recentes indicaram um mercado de trabalho ainda sólido. No entanto, as pressões de preços relacionadas à guerra passaram a ser vistas como um fator de inflação mais amplo e sistêmico.
Há um mês, a probabilidade de uma alta de juros na reunião de setembro era de 33,1%, conforme o FedWatch. A mudança nas expectativas ocorreu após dados de inflação elevados na semana anterior e a disparada do petróleo.
Fed decide a taxa na quarta
O Federal Reserve iniciou sua reunião de política monetária de dois dias antes do pregão. A decisão sobre a taxa básica era esperada para quarta-feira.
A expectativa predominante no mercado era de um aumento de 25 pontos-base. Se confirmado, seria o primeiro aperto monetário do banco central americano em mais de três anos.
O encontro do Fed ganhou peso porque investidores avaliam como a autoridade responderá à inflação associada à energia sem ignorar os sinais de solidez no mercado de trabalho. Por isso, a decisão pode influenciar tanto os títulos públicos quanto as ações.
Na avaliação de Tuz, o mercado aguardava maior clareza antes de assumir riscos. O executivo apontou que a perspectiva de aumento das taxas já no dia seguinte contribuía para essa cautela.


