Pedido de vista de Flávio Dino paralisa no STF análise sobre apurações de Alexandre de Moraes

Interrupção na sessão plenária suspende julgamento por até 90 dias após impasse processual entre ministros

Da
Redação
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Sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal debateu questão de ordem sobre apurações envolvendo ministros da Corte.
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O julgamento no Supremo Tribunal Federal que avalia procedimentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode permanecer paralisado até o mês de dezembro. A suspensão regimental do processo ocorreu após o ministro Flávio Dino solicitar vista dos autos durante a sessão plenária realizada na última terça-feira (15).

A deliberação na Corte foi marcada por divergências intensas e debates sobre a condução processual do caso. Com o pedido formulado por Flávio Dino antes do encerramento dos trabalhos, a contagem do prazo limite de até 90 dias foi iniciada, embora o magistrado mantenha a prerrogativa de devolver o processo para julgamento no plenário antes da data final estipulada no calendário do tribunal.

A interrupção decretada pelo pedido de vista colocou em suspenso a definição sobre a continuidade das investigações. O encerramento antecipado das discussões da pauta impediu que o tribunal avançasse sobre o mérito das petições agendadas para a sessão.

Gilmar Mendes defende unificação de petições do caso

Logo no início da sessão do plenário, após a leitura do relatório pelo presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, o ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem referente ao andamento dos procedimentos. A intervenção de Gilmar Mendes propôs o julgamento unificado de duas petições que tramitam na Corte sobre os desdobramentos do caso.

A proposta de unificação abrangia a Petição 16.662, que reúne dados extraídos pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com menções a Alexandre de Moraes, e a Petição 16.704. Esta última concentra questionamentos sobre a atuação do ministro André Mendonça na condução de apurações ligadas ao Banco Master e estava originalmente prevista para análise no dia 23 de setembro.

Cabe à Presidência do STF relatar o caso quando surgem indícios contra um ministro da Corte e que a questão precisava ser submetida ao plenário.”

Edson Fachin, ministro e presidente do STF

Além de reunir os dois procedimentos em um único julgamento, a proposta de Gilmar Mendes estabelecia uma nova distribuição da relatoria do caso. O mecanismo seria aplicado após a identificação de magistrados citados nos processos em relação aos quais existissem indícios de recebimento de valores ou benefícios, hipótese suscitada anteriormente por Alexandre de Moraes.

Edson Fachin rejeita junção e defende análise separada

O ministro Edson Fachin votou contra a proposta de junção das petições e defendeu a continuidade separada dos procedimentos. Em sua manifestação no plenário, o presidente do tribunal argumentou que os procedimentos possuem objetos distintos e ressaltou que cabe à Presidência do STF relatar o caso quando surgem indícios contra algum integrante da própria Corte.

O entendimento apresentado por Edson Fachin de que a questão precisava ser submetida à deliberação do plenário foi seguido pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Os quatro magistrados formaram a corrente contrária à unificação pretendida na questão de ordem.

Em sentido oposto, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin acompanharam a posição divergente aberta por Gilmar Mendes. Com essa divisão, o julgamento foi interrompido com um placar parcial de 4 a 3 desfavorável à reunião dos processos.

Ministros declaram impedimento e suspeição na votação

A votação sobre a questão de ordem registrou ausências na composição do quórum de julgamento. No início dos trabalhos, o ministro Kassio Nunes Marques declarou seu impedimento formal para atuar no caso.

Pet 16.662: procedimento que reúne o relatório da Polícia Federal produzido a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e que traz mensagens atribuídas a ele com referências a Moraes”

Relatório de petição do STF

Na mesma etapa prévia da sessão plenária, o ministro Dias Toffoli declarou suspeição por motivo de foro íntimo. Com as duas manifestações, ambos os magistrados ficaram impedidos de participar do debate e votaram fora do cômputo sobre a unificação das petições.

A ausência dos dois ministros na votação manteve a deliberação restrita aos demais integrantes do plenário até o momento da interrupção pelo pedido de vista, sem alteração na contagem dos votos computados.

Julgamento deixa pendente análise sobre nulidade da PGR

A intensa discussão sobre as regras processuais e a unificação das petições impediu que a Corte apreciasse o tema originário da sessão. O objetivo central do plenário era deliberar em primeiro lugar sobre a alegação de nulidade apresentada pela Procuradoria-Geral da República no âmbito das apurações.

Pelo roteiro previsto para o julgamento, a rejeição ou acolhimento da preliminar suscitada pela PGR definiria se a apuração aberta em relação ao ministro Alexandre de Moraes teria condições jurídicas de prosseguir no tribunal.

Sem a conclusão da votação da questão de ordem e diante da paralisação provocada pelo pedido de vista de Flávio Dino, as definições sobre a nulidade e o prosseguimento das apurações contra Moraes e Mendonça permanecem sem data confirmada no STF.

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