Justiça do Rio aciona Interpol para caçar suspeito de matar ciclista em Copacabana

Wellington Luiz Santos de Souza, o Doideira, fugiu para o Paraguai após linchamento de Cláudio Rafael Landeiro na zona sul da capital

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Redação
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Material cedido ao Metrópoles| Arte/Lara Abreu
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A Justiça do Rio de Janeiro acionou oficialmente a Interpol para incluir Wellington Luiz Santos de Souza, conhecido como Doideira, na Difusão Vermelha da organização internacional. O pedido de cooperação busca localizar, prender e extraditar o investigado, que fugiu para o Paraguai após ser apontado como um dos envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, em Copacabana.

O crime ocorreu no dia 12 de agosto de 2026, na zona sul da capital fluminense, e a vítima morreu no dia seguinte às agressões. A inclusão do nome do acusado na lista internacional de procurados atende a uma determinação judicial emitida no âmbito do processo criminal que apura o linchamento em via pública.

Wellington é apontado pelas autoridades policiais como o quinto suspeito com participação direta nas agressões físicas sofridas pela vítima. A medida internacional visa impedir o trânsito livre do acusado em território estrangeiro enquanto o caso tramita no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Discussão sobre bicicleta originou o linchamento

As investigações apontam que a abordagem contra o ciclista começou na Rua Barata Ribeiro, quando o segurança de um restaurante local abordou Cláudio Rafael. O funcionário do estabelecimento desconfiou da procedência do veículo utilizado pelo homem e passou a questionar a propriedade da bicicleta.

A bicicleta havia sido emprestada pela irmã da vítima, Nathalia, para que o irmão passeasse pelo bairro. Por apresentar problemas cognitivos, Cláudio não conseguiu explicar a situação com clareza no momento da abordagem, o que levou o segurança a presumir que o veículo havia sido furtado.

Diante da justificativa confusa, o funcionário tomou a bicicleta à força e Cláudio tentou retornar para casa. Na sequência, o segurança acionou dois entregadores que passavam pela via para perseguirem o ciclista, dando início às agressões físicas.

A vítima acabou derrubada no chão e passou a ser atingida por chutes e golpes disparados pelos motoboys em diversas partes do corpo, incluindo a região da cabeça. Socorristas do Corpo de Bombeiros prestaram atendimento emergencial e encaminharam o ciclista ao hospital, mas ele não resistiu aos ferimentos e faleceu um dia após o ataque.

Câmeras registraram a participação do motorista

Ao contrário dos outros suspeitos identificados no inquérito, Wellington Luiz Santos de Souza não trabalhava como segurança de estabelecimento nem atuava como entregador por aplicativo. Ele passava de carro pelo trecho da Rua Barata Ribeiro no momento exato em que as agressões ocorriam.

Ladrão tem que morrer mesmo”

Wellington Luiz Santos de Souza, investigado pelo linchamento

Imagens de câmeras de segurança analisadas pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro mostram que o motorista parou o veículo e se aproximou do grupo de agressores. Ao chegar ao local, Wellington perguntou aos presentes se a vítima era de fato um ladrão.

Após ouvir a confirmação dos demais envolvidos, o suspeito desferiu um chute contra a cabeça do ciclista que já estava caído no solo, justificando o ato antes de retornar ao seu veículo e deixar a cena do crime.

A análise minuciosa das gravações permitiu aos investigadores mapear a movimentação e identificar a placa do automóvel, elementos que fundamentaram a individualização da conduta do investigado no inquérito conduzido pelas autoridades policiais.

Suspeito fugiu para o Paraguai após o crime

Durante o andamento das diligências, a Polícia Civil obteve a expedição de mandado de prisão preventiva contra os cinco suspeitos identificados na agressão fatal. No entanto, as equipes policiais não encontraram Wellington em seu endereço residencial durante as buscas.

As apurações subsequentes conduzidas pelo setor de inteligência policial revelaram que o foragido havia cruzado a fronteira brasileira e buscado refúgio no Paraguai ainda em agosto de 2026. A confirmação da fuga motivou o envio de relatórios atualizados ao Poder Judiciário.

Com a confirmação da localização do investigado fora do país, a Justiça ordenou o acionamento formal dos canais de cooperação internacional da Interpol. A inclusão na Difusão Vermelha autoriza a prisão cautelar pelas forças de segurança paraguaias para viabilizar o processo de extradição ao Brasil.

Justiça torna cinco acusados réus no processo

A decisão judicial que acionou a Interpol faz parte da ação penal em que a Justiça tornou réus os cinco indiciados por envolvimento na morte do ciclista. Além de Wellington Luiz Santos de Souza, respondem ao processo Davi Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias, Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva.

O trabalho de apuração reunido no inquérito policial contabilizou depoimentos de testemunhas, laudos periciais e registros em vídeo que documentaram a sequência de violência praticada contra a vítima na zona sul do Rio de Janeiro.

Enquanto os outros acusados permanecem sob a jurisdição das autoridades nacionais, o andamento processual relativo a Wellington aguarda o cumprimento do mandado internacional e os desdobramentos diplomáticos para a efetivação da prisão e extradição a partir do Paraguai.

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