O entregador e pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, teve a morte encefálica confirmada na noite de terça-feira (15/9) no Hospital Estadual Azevedo Lima, localizado em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ele estava internado em estado gravíssimo desde o último sábado (12/9), quando foi atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça durante uma ação de patrulhamento do programa Segurança Presente no bairro Icaraí.
A confirmação do falecimento foi repassada pela direção da unidade hospitalar onde a vítima permaneceu sob cuidados intensivos. Enquanto isso, familiares e amigos autorizaram a doação dos órgãos do jovem para transplante, ato que foi formalizado logo após o diagnóstico médico definitivo.
Abordagem resulta em tiro na cabeça
A ocorrência foi registrada na noite de sábado na Rua Mariz e Barros, uma das vias do bairro Icaraí. De acordo com as informações apuradas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, agentes do programa Segurança Presente realizavam patrulhamento de rotina quando tentaram realizar a abordagem ao motociclista.
A versão inicial apresentada pelos órgãos de segurança aponta que os policiais teriam tentado um cerco após uma suposta desordem ou desobediência a uma ordem de parada emitida durante a ronda. No entanto, o desenrolar da ação culminou no disparo efetuado por um dos agentes, que atingiu diretamente a cabeça do trabalhador.
Logo após o tiro, os agentes realizaram revistas no jovem, mas nada de ilícito foi encontrado com ele. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado na sequência para prestar os primeiros socorros e encaminhar a vítima em estado crítico para o hospital público da região.
Policial militar é preso em flagrante
As circunstâncias da intervenção geraram rápida resposta das autoridades corregedorias e investigativas do estado. A Polícia Civil assumiu o caso por meio da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, que conduziu as diligências iniciais logo após o socorro prestado à vítima.
O policial militar responsável pelo disparo que atingiu o pizzaiolo foi preso em flagrante ainda nos desdobramentos iniciais da ocorrência. Além disso, a Corregedoria da Polícia Militar instaurou um procedimento próprio para apurar rigorosamente a conduta dos agentes envolvidos na abordagem em Icaraí.
Em depoimento prestado às autoridades, o militar responsável pelo tiro alegou que houve um disparo involuntário após observar a vítima levar a mão à cintura. Por outro lado, essa versão contrasta com relatos preliminares de testemunhas e com registros de câmeras de segurança obtidos durante as investigações.
Protestos cobram justiça na cidade
A gravidade do caso mobilizou moradores, colegas de profissão, amigos e familiares, que organizaram manifestações pacíficas pelas ruas de Niterói. Os atos tiveram como principal objetivo cobrar transparência nas investigações e justiça pela morte do trabalhador.
Durante os protestos, representantes dos grupos contestaram a narrativa policial de que o motociclista representava um risco iminente durante a abordagem. A repercussão do caso recolocou no centro do debate público a atuação das forças de segurança e os protocolos aplicados nas operações de patrulhamento urbano.
A Delegacia de Homicídios continua com as diligências em andamento para esclarecer todos os detalhes da dinâmica que resultou na morte do jovem.
Histórico do programa de segurança
O episódio ocorreu no âmbito do programa Segurança Presente, uma iniciativa de patrulhamento ostensivo implementada em diversas regiões do estado do Rio de Janeiro. Atualmente, o modelo de policiamento opera sob a coordenação direta da Secretaria de Estado de Polícia Militar.
O programa tem como foco a aproximação com a comunidade e o policiamento de proximidade em áreas comerciais e residenciais de grande circulação. Contudo, incidentes envolvendo o uso de força letal por agentes lotados na iniciativa exigem apurações rigorosas para determinar o cumprimento estrito dos manuais de conduta.
A investigação conduzida pela Polícia Civil busca esgotar todas as provas técnicas, incluindo laudos periciais do local do crime e a análise integral das imagens capturadas por câmeras de segurança instaladas nas imediações da Rua Mariz e Barros.


