O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que o país tenha a menor taxa de juros do mundo, poucos dias antes da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), marcada para quarta-feira (16). A declaração foi dada no domingo (13), durante o torneio de golfe Irish Open.
Trump disse não saber qual seria a decisão dos formuladores de política monetária. Ainda assim, sustentou que os juros americanos deveriam ficar abaixo dos praticados por outros países, independentemente da leitura do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) sobre inflação e atividade econômica.
Trump cobra juros menores
A defesa por uma política monetária mais branda ocorre após semanas de críticas públicas do presidente à condução dos juros nos Estados Unidos. Trump afirma que os níveis atuais beneficiam outros países em detrimento da economia americana.
Ao tratar do tema, o presidente associou a taxa de juros à posição de crédito dos Estados Unidos. Para ele, essa condição deveria resultar em um custo menor para tomar empréstimos do que o observado em outros mercados.
A pressão presidencial foi feita antes de uma decisão do Fed que ocorre sob atenção aos dados de inflação e ao cenário político americano.
Inflação eleva atenção ao Fed
A reunião ocorre menos de uma semana após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor, que registrou na sexta-feira (11) o maior aumento em quatro meses para um indicador de inflação subjacente.
Esse resultado reforçou as expectativas de elevação dos juros pelo banco central americano. Portanto, a posição defendida por Trump contrasta com a preocupação do mercado diante da persistência da inflação.
O Fomc reúne os responsáveis pelas decisões de política monetária do Fed. A definição da taxa de juros é acompanhada por seu efeito sobre crédito, consumo e custo de financiamento na maior economia do mundo.
Eleições ampliam pressão política
O encontro do Fed também acontecerá poucas semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. A disputa definirá se os republicanos manterão as atuais maiorias estreitas nas duas Casas do Congresso.
Pesquisas recentes da Reuters/Ipsos apontaram preocupação dos eleitores com o poder de compra. Nesse ambiente, uma alta dos juros pode ampliar a atenção sobre as condições econômicas enfrentadas pelos consumidores.
Os índices de aprovação de Trump caíram enquanto a inflação persiste, segundo o material disponível. O presidente, por outro lado, mantém o argumento de que juros menores favoreceriam os Estados Unidos.
Governo cita autonomia do banco
Trump já havia criticado a política monetária do Fed durante seu primeiro mandato. Naquele período, atacava Jerome Powell, então presidente da instituição, por considerar que juros altos prejudicavam o crescimento e a competitividade do país.
Neste ano, Kevin Warsh assumiu o comando do banco central após indicação do próprio Trump. A relação entre a Casa Branca e o Fed se tornou menos conflituosa, embora o presidente siga defendendo cortes nos juros.
O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, afirmou que Trump defenderá a independência de Warsh, qualquer que seja a decisão da reunião. Ao mesmo tempo, Hassett reconheceu que a preferência do presidente é por taxas menores.


