Petróleo acima de US$ 100 marcou o mercado nesta terça-feira (15), após ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita interromperem o oleoduto Leste-Oeste do país. Às 8h30, no horário de Brasília, o Brent era negociado a US$ 106,02 por barril e o WTI, referência dos Estados Unidos, a US$ 102,41.
A interrupção ampliou os receios sobre a duração dos danos à infraestrutura e às rotas de transporte de óleo no Oriente Médio. O duto permite que a Arábia Saudita exporte petróleo sem passar pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo que, antes da guerra entre EUA, Israel e Irã iniciada em 28 de fevereiro, movimentava cerca de um quinto do suprimento mundial.
Ataques paralisam oleoduto saudita
Os novos ataques ocorreram na segunda-feira (14), segundo as informações divulgadas. As forças houthis no Iêmen, apoiadas pelo Irã, afirmaram ter lançado dezenas de mísseis e drones contra uma base aérea militar em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita.
De acordo com os houthis, os alvos incluíam hangares de aeronaves, sistemas de radar, pistas de pouso e depósitos de munição. O grupo apresentou a ofensiva como retaliação aos ataques aéreos sauditas no Iêmen.
A escalada veio depois de ataques na sexta-feira (11) que Riade atribuiu a combatentes apoiados pelo Irã no Iraque. Além disso, os países árabes do Golfo adiaram discussões que estavam previstas com o Irã.
Mercado eleva preços do petróleo
O contrato futuro do Brent avançava US$ 0,34, equivalente a 0,32%, chegando a US$ 106,02 por barril. Já o WTI registrava ganho de US$ 1,02, ou 1,01%, para US$ 102,41 por barril.
Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics, relacionou a reação dos investidores à avaliação sobre a extensão do conflito. Para ele, novos ataques podem influenciar as expectativas do mercado sobre a gravidade e a duração da crise.
O ataque ao oleoduto ameaçou até 4% do abastecimento global de petróleo. Por isso, a capacidade saudita de manter as exportações ganhou peso adicional na formação dos preços.
Duto evita rota por Ormuz
O oleoduto Leste-Oeste é uma alternativa estratégica para o escoamento do petróleo saudita. Com ele fora de operação, aumenta a dependência de rotas afetadas pela instabilidade regional.
O Estreito de Ormuz já registrou redução do tráfego de navios de commodities. Dados preliminares da Kpler apontaram quatro embarcações na segunda-feira, ante 10 no dia anterior.
Antes do início da guerra em 28 de fevereiro, aproximadamente um quinto dos suprimentos globais de petróleo passava pelo estreito. Dessa forma, a limitação do trânsito marítimo se soma à paralisação do duto na avaliação dos riscos de oferta.
Exportações dependem de reparos
Compradores e operadores ouvidos pela Reuters avaliaram que a Arábia Saudita poderia esgotar em poucos dias o petróleo bruto disponível para exportação se o oleoduto Leste-Oeste não voltasse a funcionar.
Em nota, o Goldman Sachs afirmou que o ataque recente pode ameaçar os 2 milhões de barris diários restantes das exportações de Yanbu. O banco citou estimativas de reparo que vão de uma retomada muito próxima a oito semanas.
O Goldman Sachs também apontou que os ataques à infraestrutura elevam a probabilidade de o Brent superar US$ 120 por barril. A avaliação considera um cenário em que a produção média de petróleo do Golfo em 2027 fique 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis anteriores à guerra.


