Obama e Kamala Harris defendem regras para acelerar com segurança a IA nos EUA

Ex-presidente e ex-vice-presidente pedem ação do governo, enquanto Donald Trump rejeita desaceleração e critica preocupações sobre a tecnologia

Da
Redação
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Barack Obama e Kamala Harris defendem maior supervisão do desenvolvimento da inteligência artificial nos Estados Unidos.Divulgação/CNN 22/07/2024REUTERS/Nathan Howard
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Barack Obama e Kamala Harris defenderam nesta segunda-feira (14) uma atuação mais firme do governo dos Estados Unidos sobre o desenvolvimento da inteligência artificial. Os dois democratas pediram regras de segurança, supervisão federal e medidas para antecipar impactos da tecnologia sobre empregos e crianças.

O posicionamento ocorre em meio ao aumento da pressão política e empresarial por uma desaceleração no avanço da chamada IA de fronteira. Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump rejeita novas restrições e afirma que os Estados Unidos precisam preservar a competitividade diante da China.

Obama pede ação federal

Em um comunicado divulgado na noite de segunda-feira, Obama afirmou que Washington deve adotar uma postura proativa na elaboração de leis e regulamentações para lidar com os riscos da inteligência artificial.

O ex-presidente citou preocupações relacionadas à segurança, ao impacto da tecnologia no mercado de trabalho e aos efeitos sobre crianças. Também defendeu que os benefícios da IA sejam distribuídos de forma ampla.

Obama e Harris querem que o governo americano defina regras antes que o desenvolvimento da IA avance sem supervisão pública.

Na semana anterior, Obama havia pedido aos democratas que colocassem a inteligência artificial no centro de suas agendas. O apelo ocorreu em um evento privado de arrecadação de fundos ao lado de Hakeem Jeffries, líder da minoria na Câmara.

Uma desaceleração é fundamental para garantir que a IA sirva ao interesse público.”

Kamala Harris

Harris defende desaceleração responsável

Kamala Harris apoiou uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento da IA para permitir que a regulamentação acompanhe a velocidade da tecnologia. A ex-vice-presidente publicou a posição na rede social X.

Ela também pediu ao Congresso a criação de uma agência federal de supervisão. Para Harris, a estrutura deveria ajudar a estabelecer padrões de segurança e proteger o interesse público.

Além disso, Harris solicitou que Trump trabalhe pela negociação de um tratado internacional sobre inteligência artificial. A proposta envolveria países como a China e buscaria limitar usos perigosos, a velocidade do desenvolvimento e estabelecer padrões globais de testes.

A democrata, considerada uma possível candidata à Presidência em 2028, afirmou que os Estados Unidos devem continuar liderando o desenvolvimento da tecnologia, mas com regras de segurança consideradas razoáveis.

“Uma desaceleração é fundamental para garantir que a IA sirva ao interesse público.”

Kamala Harris

Trump rejeita novas restrições

Donald Trump rejeitou os pedidos por uma desaceleração ou por uma ampliação da regulamentação. Em publicações nas redes sociais, o presidente classificou as preocupações com a inteligência artificial como uma “farsa” e parte de uma “conspiração doentia”.

Trump também afirmou que a prioridade deve ser manter a vantagem americana na competição tecnológica com a China. Para ele, o governo já dispõe de poderes criminais e regulatórios sobre as empresas do setor.

É preciso haver salvaguardas. É preciso haver regras. É preciso haver limites.”

Pete Buttigieg

O presidente declarou ainda que o principal mecanismo de proteção necessário para a IA seria uma liderança forte na Casa Branca. A posição contrasta com a defesa, feita por democratas e executivos, de regras específicas para controlar riscos da tecnologia.

O debate reúne, portanto, duas prioridades distintas: de um lado, a criação de salvaguardas antes da expansão do setor; de outro, a preservação da velocidade de inovação e da competitividade internacional dos Estados Unidos.

Executivos ampliam pressão política

A discussão ganhou força após Dario Amodei, CEO da Anthropic, defender uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial. O executivo também pediu cooperação entre líderes do setor para evitar caminhos que possam prejudicar a humanidade.

Obama afirmou que a tecnologia pode gerar avanços importantes em áreas como medicina, energia e educação. No entanto, segundo o ex-presidente, ela também pode provocar grandes mudanças econômicas, aumento da desigualdade e riscos graves.

Na avaliação apresentada por Obama, o resultado dependerá das decisões tomadas agora. Ele defendeu que essas escolhas não fiquem restritas às empresas envolvidas e sejam discutidas pela sociedade e pelo governo.

Pete Buttigieg, ex-secretário de Transportes e também citado como possível nome para 2028, afirmou que o Congresso e a Casa Branca precisam enfrentar o tema. Ele defendeu salvaguardas, limites, regras e um mecanismo de desligamento emergencial para sistemas que saiam de controle.

“É preciso haver salvaguardas. É preciso haver regras. É preciso haver limites.”

Pete Buttigieg
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