Os rendimentos dos Treasuries voltaram a pressionar os mercados nesta terça-feira (15). O papel de referência de 10 anos dos Estados Unidos avançou 4,5 pontos-base e fechou em 5%, no maior nível desde 2007, antes da decisão de juros do Federal Reserve prevista para quarta-feira.
A alta ocorreu em meio a preocupações de investidores com inflação e com as perspectivas fiscais de longo prazo dos EUA. Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo e a expectativa de aperto monetário contribuíram para quedas em Wall Street, na Europa e no índice global da MSCI.
Treasuries atingem 5% antes do Fed
Os rendimentos dos títulos públicos americanos vinham subindo de forma constante ao longo do último mês. Como preço e rendimento dos títulos se movem em direções opostas, a elevação das taxas reflete pressão sobre as cotações desses papéis.
O patamar de 5% do Treasury de 10 anos recolocou os juros de longo prazo dos EUA em níveis não vistos desde 2007. Além disso, os rendimentos dos Bunds, títulos de referência da Alemanha, chegaram a 3,56%, máxima em mais de 17 anos.
O rendimento do título americano de 10 anos subiu 4,5 pontos-base e alcançou 5%. O movimento elevou a atenção dos investidores para a decisão do banco central americano e para os sinais que a autoridade poderá dar sobre os próximos passos da política monetária.
Bolsas recuam em sessão global
Os três principais índices de Wall Street terminaram em baixa. Bens de consumo discricionário, serviços de comunicação e serviços públicos puxaram as perdas, enquanto as ações de energia tiveram o melhor desempenho setorial.
Acho que o Fed precisa, sem dúvida, aumentar as taxas amanhã. Se o Fed não aumentar as taxas em pelo menos um quarto de ponto percentual, veremos o mercado de títulos simplesmente punir o mercado de títulos do Tesouro.”
Edison Byzyka, diretor de investimentos da Credent Wealth Management
O quadro abaixo reúne as variações dos principais indicadores acionários mencionados na sessão.
| Variação dos índices acionários | |
|---|---|
| Índice | Variação |
| Dow Jones Industrial Average | -0,63% |
| S&P 500 | -0,45% |
| Nasdaq Composite | -0,78% |
| STOXX 600 | -0,28% |
| Índice mundial MSCI | -0,5% |
Na Europa, o STOXX 600 atingiu o menor nível desde 12 de junho. Já o índice mundial da MSCI recuou 0,5%, prolongando a onda de vendas iniciada na sessão anterior.
Petróleo sobe com tensão regional
Os contratos futuros do Brent fecharam acima de US$ 108 por barril. A escalada ocorreu em um ambiente de restrição no abastecimento energético e de novos ataques dos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita, segundo as informações do mercado.
Os houthis, alinhados ao Irã, também se entrincheiraram na costa oeste do Iêmen, ao longo do Mar Vermelho. Dessa forma, os ataques adicionaram pressão ao fluxo de energia proveniente do Oriente Médio.
O abastecimento já estava limitado desde os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro, que levaram Teerã a bloquear o Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo, da gasolina e do diesel vêm avançando no período.
Fed concentra atenção dos mercados
O mercado esperava que o Federal Reserve elevasse a taxa de juros em pelo menos 0,25 ponto percentual na reunião de quarta-feira. O presidente do Fed, Kevin Warsh, havia evitado indicar qual seria a trajetória posterior das taxas.
Para Edison Byzyka, diretor de investimentos da Credent Wealth Management, o banco central deveria promover a alta esperada. A avaliação foi apresentada em meio ao crescimento dos lucros corporativos e ao encarecimento das commodities.
No Japão, a expectativa era de que o Banco do Japão elevasse sua taxa em 25 pontos-base, para 1,25%, ao fim de reunião de dois dias na sexta-feira. As autoridades buscavam fortalecer o iene após uma intervenção afastar a moeda de uma mínima de 40 anos.


