Arábia Saudita avalia reação após ataques houthis e risco de escalada

Grupo iemenita afirmou ter atacado uma base aérea saudita, enquanto especialistas apontam custos altos para uma resposta militar ampla.

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Redação
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A Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, foi apontada pelos houthis como alvo de um ataque.REUTERS
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A reação da Arábia Saudita aos ataques houthis entrou no centro da crise regional após o grupo iemenita afirmar que atingiu a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, no sul do país. Segundo Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, a ofensiva mirou instalações e infraestrutura militares.

As autoridades sauditas suspenderam na segunda-feira (14) alertas de emergência emitidos para cidades do sul do reino. Ao mesmo tempo, a escalada no Iêmen, os ataques no Mar Vermelho e o fechamento de um oleoduto saudita após uma ação com drones aumentam a pressão sobre Riad para definir seus próximos passos.

Houthis afirmam atingir base aérea

O grupo houthi, alinhado ao Irã, declarou ter realizado o ataque contra a Base Aérea Rei Khalid. A instalação fica em Khamis Mushait, uma das cidades para as quais a Defesa Civil saudita emitiu avisos de risco.

Os houthis controlam áreas populosas do norte do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa. O grupo tomou a cidade em 2014 e forçou o governo reconhecido internacionalmente ao exílio, abrindo uma crise que levou a uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte.

Além das ações contra o território saudita, os rebeldes vêm atacando embarcações ligadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho desde que anunciaram, em julho, um bloqueio naval contra Riad. A disputa também envolve a tentativa do grupo de ampliar seu controle territorial no Iêmen.

Alertas mobilizam cidades do sul

A Defesa Civil emitiu alertas para Najran, Khamis Mushait, Jazan e Abha diante do aumento dos ataques. Posteriormente, os avisos voltaram a ser acionados em Khamis Mushait e Abha antes de nova suspensão.

O quadro abaixo organiza as localidades mencionadas nos alertas e o desenrolar informado para cada uma. Os avisos haviam sido suspensos na segunda-feira.

Seria difícil limitar o conflito a uma situação exclusivamente iemenita, em vez de tratá-lo como mais um capítulo da guerra mais ampla entre Estados Unidos e Irã, na qual a Arábia Saudita passaria a ser um combatente ao lado dos EUA”

Cinzia Bianco, pesquisadora visitante do Conselho Europeu de Relações Exteriores
Cidades citadas nos alertas sauditas
CidadeSituação informada
NajranRecebeu alerta posteriormente suspenso
Khamis MushaitRecebeu alerta, reemissão e nova suspensão
JazanRecebeu alerta posteriormente suspenso
AbhaRecebeu alerta, reemissão e nova suspensão

Os alertas coincidiram com uma fase de maior tensão. A ilha de Perim, na entrada do Mar Vermelho, e a cidade portuária de Mocha foram tomadas pelos houthis, segundo o relato disponível, em movimento voltado ao estreito de Bab el-Mandeb.

Essa passagem marítima é uma rota relevante para o transporte de energia. Por isso, avanços militares próximos ao estreito elevam as implicações do confronto para além das fronteiras iemenitas.

Oleoduto amplia pressão sobre Riad

O principal oleoduto de petróleo da Arábia Saudita foi fechado após um ataque de drones que teria partido do Iraque. Nenhum grupo assumiu a ação, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu a ofensiva a Teerã.

O reino passou a usar mais o duto Leste-Oeste depois de a guerra com o Irã praticamente fechar o Estreito de Ormuz. Pela estrutura, cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia passaram a ser desviados de petroleiros que aguardavam no Golfo Pérsico.

O fechamento do oleoduto ocorreu quando a Arábia Saudita ampliava seu uso da rota Leste-Oeste para contornar as restrições no Estreito de Ormuz. Dessa forma, um ataque à infraestrutura energética adiciona uma dimensão econômica e logística à crise militar.

Antes desse episódio, um alto funcionário saudita havia alertado sobre a possibilidade de ataques coordenados por milícias iraquianas e houthis. Riad afirmou, após a ação contra o oleoduto, que poderia tomar as medidas necessárias para proteger sua soberania.

Especialistas apontam opções limitadas

Especialistas ouvidos no relato avaliam que a Arábia Saudita tem alternativas restritas. Uma ofensiva mais ampla poderia prolongar a guerra e ampliar seu alcance, enquanto uma saída negociada exigiria concessões diante das demandas apresentadas pelos houthis.

Cinzia Bianco, pesquisadora visitante do Conselho Europeu de Relações Exteriores, avaliou que uma escalada total pode transformar o confronto em uma guerra sem prazo definido. O Iêmen já enfrenta uma grave crise humanitária, com cerca de 22 milhões de pessoas necessitando de assistência, segundo os dados citados.

Os Estados Unidos, por sua vez, resistem a ampliar a participação militar direta contra os houthis, conforme a análise apresentada. Washington enviou cerca de 100 assessores militares à Arábia Saudita para apoio de inteligência, enquanto Riad ainda calcula os custos e o respaldo internacional de uma retaliação maior.

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