O Conselho de Segurança da ONU realiza nesta terça-feira (15) uma reunião para discutir a situação no estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que controla a entrada do Mar Vermelho. A França convocou a sessão, prevista para a tarde no horário de Nova York, segundo dois diplomatas franceses ouvidos pela Reuters.
A reunião ocorre após o avanço dos houthis pela costa do Mar Vermelho e ataques atribuídos ao grupo contra a Arábia Saudita. Além disso, ataques nas duas principais rotas de transporte de petróleo da região elevaram as preocupações com o abastecimento global de energia.
França convoca sessão da ONU
O encontro no Conselho de Segurança foi marcado para esta terça-feira, um dia depois do adiamento de uma reunião entre o Irã e outras potências do Golfo. O tema desse encontro regional também era o avanço dos houthis iemenitas na região.
Bab el-Mandeb é conhecido como “Porta das Lágrimas”. O estreito liga o Mar Vermelho às rotas marítimas da região e ganhou importância adicional após a captura da ilha de Perim pelos houthis.
A reunião da ONU ocorre em meio à escalada dos combates no Iêmen e à pressão sobre passagens estratégicas para o transporte de petróleo.
Houthis ampliam ofensiva no litoral
O avanço dos houthis ao longo da costa do Mar Vermelho integra a maior escalada dos combates no Iêmen em anos. O grupo é alinhado ao Irã e afirma ter atingido uma base militar saudita em uma província vizinha de Jazan.
A mídia estatal da Arábia Saudita divulgou imagens de danos a casas e a uma mesquita em um suposto ataque transfronteiriço atribuído aos houthis. O episódio ocorreu na província saudita de Jazan, no sul do país.
A ofensiva e os ataques contra o território saudita aumentaram a pressão sobre os países do Golfo. Ao mesmo tempo, reforçaram as preocupações com a segurança marítima em torno do Mar Vermelho.
Rotas de petróleo entram em tensão
Os ataques registrados nas duas principais rotas de transporte de petróleo da região elevaram as preocupações sobre a oferta global de energia. Bab el-Mandeb está no centro desse cenário por controlar o acesso ao Mar Vermelho.
Outra passagem sob atenção é o Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo mundial passava por essa rota, segundo o material disponível.
A Arábia Saudita decidiu interromper, pelo menos temporariamente, o oleoduto que funciona como sua principal alternativa para transportar petróleo do Oriente Médio sem utilizar Ormuz. A medida antecedeu o adiamento da reunião entre Irã e países árabes do Golfo.
Irã adia conversa com Golfo
O encontro entre o Irã e outras potências do Golfo estava previsto para segunda-feira (14), mas foi adiado. Autoridades iranianas haviam informado que apresentariam aos países árabes um acordo com Omã sobre a gestão das rotas marítimas no Estreito de Ormuz.
A agência iraniana Fars citou um funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã segundo o qual alguns países da região pediram o adiamento. Conforme essa versão, Teerã e Mascate tomaram a decisão conjuntamente.
O funcionário também disse, segundo a Fars, que Irã e Omã coordenarão a definição de uma nova data para a reunião. Os governos da região discutem o avanço dos houthis e seus efeitos econômicos e estratégicos.
Cronologia mostra escalada recente
Os acontecimentos relatados se concentraram em poucos dias e combinaram contatos entre líderes, decisões sobre o transporte de petróleo e iniciativas diplomáticas.
Veja abaixo a sequência dos principais episódios que antecederam a reunião do Conselho de Segurança.
| Cronologia da tensão regional | |
|---|---|
| Data | Fato |
| 10 de setembro | Mohammed bin Salman telefonou para Donald Trump e pediu ajuda militar contra os houthis, segundo três fontes ouvidas pela Reuters. |
| 12 de setembro | Trump confirmou ter conversado com o príncipe herdeiro saudita. |
| 14 de setembro | Irã e potências árabes do Golfo adiaram reunião sobre o avanço dos houthis e rotas marítimas. |
| 15 de setembro | Conselho de Segurança da ONU realiza reunião sobre Bab el-Mandeb. |
Depois da interrupção temporária do oleoduto saudita que evita Ormuz, o adiamento da conversa regional ampliou a pressão diplomática. Dessa forma, a discussão no Conselho de Segurança reúne uma crise que envolve combates no Iêmen, segurança marítima e energia.
Washington pondera apoio aos sauditas
O avanço dos houthis apresenta um dilema para os Estados Unidos. Washington busca apoiar a Arábia Saudita e proteger o transporte marítimo, mas teme abrir uma nova frente de guerra.
Os Estados Unidos bombardearam posições houthis durante dois meses em 2025. Donald Trump interrompeu a campanha depois de anunciar que o grupo havia suspendido a ameaça de atacar embarcações no Mar Vermelho.
Três fontes disseram à Reuters que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman telefonou a Trump na quinta-feira (10) para pedir ajuda militar no combate aos houthis. Por enquanto, os Estados Unidos ofereceram apoio de inteligência, segundo essas fontes.
Trump confirmou no sábado (12) que conversou com o príncipe herdeiro. Segundo ele, os houthis também procuraram o governo americano para pedir que Washington não se envolvesse na guerra do Iêmen.


