A reforma do comércio na OMC pode elevar o PIB global em 2,9% até 2050, segundo o Relatório sobre o Comércio Mundial divulgado em 15 de setembro. O estudo também estima que a erosão das regras atuais provocaria uma perda de até 6,9% em relação ao cenário-base.
A diferença entre o cenário de maior cooperação e o de fragmentação chega a quase 10% do PIB mundial, de acordo com a organização. O relatório avalia ainda os possíveis efeitos sobre as exportações e o funcionamento do sistema multilateral.
OMC calcula efeitos até 2050
O cenário mais favorável combina maior abertura de mercados, novas regras para comércio digital e serviços, ampliação da adesão à OMC e equilíbrio entre abertura econômica e segurança.
Nessa hipótese, as exportações globais cresceriam 17,9%. Para a organização, a adaptação das regras comerciais às transformações da economia mundial pode ampliar os ganhos da integração.
A diferença entre fortalecer o sistema multilateral e abandoná-lo pode representar quase 10% do PIB mundial até 2050.
Fragmentação reduz PIB e exportações
O relatório também avalia um mundo dividido em blocos geopolíticos. Nesse cenário, o PIB global cairia 5,1% e as exportações recuariam 18,6%.
Em uma hipótese ainda mais severa, a OMC deixaria de operar e seria substituída por uma rede de acordos de livre comércio. As perdas chegariam a 6,9% do PIB e a 26,9% das exportações.
Os números mostram diferenças relevantes entre os caminhos projetados pela instituição. A abertura coordenada aparece associada a expansão, enquanto a fragmentação amplia custos para a economia e o comércio internacionais.
O relatório organiza as projeções em três cenários principais:
| Cenários para o comércio mundial | ||
|---|---|---|
| Cenário | PIB global | Exportações globais |
| Fortalecimento do sistema multilateral | +2,9% | +17,9% |
| Fragmentação geopolítica | -5,1% | -18,6% |
| Fim da OMC e acordos isolados | -6,9% | -26,9% |
Regras ainda sustentam comércio
Apesar da ruptura apontada no relatório, cerca de 72% do comércio global de mercadorias ainda ocorre sob as regras de nação mais favorecida da OMC.
Desde 1995, a adesão à organização ajudou a elevar em aproximadamente 140% o comércio entre seus membros. O dado é usado pela instituição para mostrar a dimensão da integração construída nas últimas décadas.
O documento afirma que preservar a OMC não significa manter o sistema sem mudanças. A organização defende ajustes para responder às transformações econômicas, tecnológicas e políticas atuais.
Quatro desafios pressionam sistema
A OMC identifica quatro desafios centrais para o comércio internacional. O primeiro é a redistribuição do poder econômico entre países e regiões.
Também aparecem o avanço de subsídios e de outras intervenções estatais, além das mudanças nas cadeias globais de produção provocadas pela digitalização e pela inteligência artificial.
O quarto desafio é o aumento das tensões geopolíticas. Segundo o relatório, a resposta passa por adaptar a cooperação às realidades econômicas atuais ou aceitar um sistema mais imprevisível, baseado principalmente na força de cada país.


