O país que impõe tarifas unilaterais tende a absorver a maior parte do custo da medida, segundo o Relatório sobre o Comércio Mundial divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta terça-feira, 15. A conclusão considera evidências das disputas comerciais entre Estados Unidos e China.
Estudos citados no documento indicam que entre 5% e 40% do custo pode ser transferido a exportadores estrangeiros por meio de preços menores. A proporção varia conforme o produto, a economia envolvida e o período analisado.
Tarifas pressionam quem as impõe
A OMC afirma que o ônus normalmente permanece concentrado na economia que aplica a tarifa. Isso ocorre porque a medida pode elevar os custos de produtos importados e afetar consumidores e empresas no mercado doméstico.
As primeiras análises sobre as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, iniciadas em 2018, apontaram para um repasse “quase completo” das tarifas aos consumidores americanos. Estudos posteriores, contudo, identificaram algum grau de absorção por exportadores estrangeiros.
Entre 5% e 40% do custo das tarifas pode ser transferido a exportadores estrangeiros, dependendo do produto, da economia e do horizonte analisado.
Estudos revisam impacto nos consumidores
O relatório reúne pesquisas que refinam a avaliação inicial sobre o efeito das tarifas. Os resultados mais recentes não eliminam o impacto doméstico, mas mostram que sua distribuição pode variar entre consumidores, empresas e fornecedores externos.
Na prática, exportadores podem reduzir preços para preservar o acesso ao mercado que adotou a tarifa. Ainda assim, a OMC sustenta que essa redução não costuma compensar integralmente o custo provocado pela barreira comercial.
O efeito final também depende do tipo de produto e das condições econômicas de cada país. Por isso, a entidade evita tratar o repasse como uniforme para todos os setores ou períodos.
Integração comercial elevou a prosperidade
O relatório também avalia os ganhos acumulados com décadas de integração comercial. Um estudo citado pela OMC estima que a participação no sistema multilateral elevou a prosperidade global em cerca de US$ 855 bilhões.
Os maiores ganhos absolutos se concentraram nos Estados Unidos, na China e na Alemanha. O dado é usado no documento para mostrar que a expansão do comércio produziu benefícios relevantes para as principais economias.
Ao mesmo tempo, a OMC reconhece que os resultados não foram distribuídos de maneira uniforme entre regiões e grupos econômicos. A abertura comercial, portanto, gerou ganhos agregados, mas também expôs áreas específicas a perdas relativas.
Importações chinesas reduziram preços
Nos Estados Unidos, a maior presença de produtos chineses esteve associada a preços menores ao consumidor. Segundo uma pesquisa mencionada no relatório, o aumento de 1 ponto percentual na participação chinesa em uma categoria reduziu em 1,9% os preços em comparação com categorias menos expostas.
O efeito, porém, variou conforme a estrutura econômica de cada região. Áreas americanas mais dependentes da indústria registraram perdas relativas de renda com o crescimento das importações chinesas entre 1990 e 2008.
Regiões mais ligadas à agricultura e aos serviços tiveram benefícios relativos. Para a OMC, essa diferença reforça a necessidade de políticas domésticas de adaptação para acompanhar mudanças provocadas pela abertura comercial.


