A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição planeja defender a abertura de uma investigação na crise que envolve o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao mesmo tempo, integrantes do grupo afirmam que a estratégia é evitar explorar diretamente o assunto nas redes sociais e na propaganda eleitoral desta terça-feira (15).
Segundo relatos de integrantes da campanha, o foco das peças de TV, rádio e internet deve permanecer em custo de vida, segurança, educação e soberania. A decisão ocorre no dia em que o STF realiza sessão para analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Campanha separa investigação e propaganda
Conselheiros de Lula defendem que o presidente se manifeste a favor de uma apuração. A orientação, segundo esses integrantes, é sustentar o mesmo critério que Lula afirma aplicar a situações que envolvam seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A comunicação eleitoral, porém, não deve usar cortes da sessão do STF nem mencionar ministros nominalmente. Dessa forma, o comando da campanha busca dissociar a defesa de investigação de uma ofensiva direta contra a Corte.
A propaganda eleitoral de Lula prevista para esta terça-feira não deve abordar diretamente a crise no STF. A escolha indica que o tema será tratado com cautela pela campanha, embora a defesa de apuração permaneça na posição divulgada por aliados do presidente.
STF analisa relatório da Polícia Federal
A sessão do Supremo marcada para esta terça-feira tem como objeto o relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e a Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro é citado no caso relacionado ao Banco Master.
A pauta ganhou dimensão eleitoral porque adversários e aliados de Lula avaliam os possíveis efeitos da crise na disputa presidencial. Ainda assim, a campanha petista indicou que não pretende transformar o julgamento em assunto central de sua comunicação do dia.
O partido havia levado ao STF um pedido pela quebra completa do sigilo do caso Banco Master. Antes disso, Lula já havia ajustado seu discurso para cobrar investigações relacionadas ao episódio.
PT debate mudanças no Judiciário
Na quinta-feira (10), o PT convocou uma reunião de emergência para discutir a crise no STF, os impactos sobre a campanha de Lula e medidas de reação. A avaliação interna relatada por integrantes da sigla é que o cenário exigiu uma reorganização da estratégia eleitoral.
Após a reunião, o partido publicou uma resolução interna que reforça a defesa de uma reforma do Judiciário. Além disso, a legenda pretende abrir discussões sobre a possibilidade de mandatos para ministros do STF e de outros tribunais superiores.
Essas discussões partidárias ocorrem enquanto a campanha busca responder ao ambiente político sem deslocar sua agenda pública para a crise. A orientação informada é priorizar temas cotidianos na programação eleitoral.
Aliados projetam reação de Flávio Bolsonaro
Aliados de Lula afirmam esperar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal adversário do presidente, explore o julgamento do STF. Na avaliação desse grupo, os desdobramentos podem favorecer politicamente o senador.
Integrantes do núcleo petista sustentam que Flávio Bolsonaro busca enfraquecer o tribunal que o investiga no caso chamado de Dark Horse. Trata-se de uma avaliação atribuída a aliados do presidente sobre a estratégia do adversário.
Enquanto evita referências nominais a ministros e à sessão do STF, a campanha deve divulgar nas redes falas anteriores de Lula em defesa de apurações. O objetivo relatado é reafirmar uma posição geral sem fazer do julgamento o centro da disputa eleitoral.


