Amelinha morreu aos 81 anos nesta terça-feira (15). Jornalista, escritora e sobrevivente da ditadura militar, Maria Amélia de Almeida Teles ficou conhecida pela atuação na defesa da memória, da verdade e da responsabilização por violações cometidas durante o regime. As causas da morte não foram divulgadas.
Considerada um dos principais símbolos da resistência feminina à ditadura, Amelinha foi presa em 1972 por agentes do DOI-CODI durante a Operação Bandeirantes, em São Paulo. Depois disso, passou a atuar também na preservação da memória de mortos, desaparecidos e vítimas de tortura.
Amelinha morre aos 81 anos
A morte de Maria Amélia de Almeida Teles encerra a trajetória de uma personagem ligada à resistência política e à defesa dos direitos humanos no Brasil. Ela nasceu em 1944 e ganhou reconhecimento por relatar as violências sofridas durante a ditadura militar.
As causas da morte de Amelinha não foram divulgadas. A jornalista também ficou marcada por transformar a experiência pessoal de perseguição em atuação pública pela memória e pela verdade.
Segundo a Associação Brasileira de Imprensa, Amelinha relatou ter sido submetida a sessões de tortura física e psicológica depois da prisão. O episódio também envolveu seus dois filhos, que ainda eram crianças e foram levados ao local, onde presenciaram a violência.
A ditadura prende a jornalista
Em 1972, agentes do DOI-CODI prenderam Amelinha durante a Operação Bandeirantes, em São Paulo. A sigla se refere ao Destacamento de Operações de Informação — Centro de Operações de Defesa Interna.
O relato sobre a prisão e as torturas tornou-se parte da memória das violações cometidas durante a ditadura militar. Além disso, a presença dos filhos no local ampliou a dimensão familiar do episódio narrado por ela.
A experiência levou Amelinha a se tornar uma voz pública na defesa da memória e da verdade. Sua atuação posterior manteve o foco na identificação das vítimas e na responsabilização por crimes cometidos durante o regime.
Ela participa da busca por justiça
Amelinha integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. O grupo reuniu familiares envolvidos na busca por informações e reconhecimento sobre pessoas atingidas pela repressão política.
Ela também atuou como assessora da Comissão Estadual da Verdade em São Paulo. Nessa função, participou de investigações relacionadas às violações praticadas durante a ditadura.
Entre os trabalhos de que participou esteve a investigação da vala clandestina do Cemitério de Perus, na capital paulista. O local se tornou uma referência nas buscas por restos mortais de pessoas desaparecidas durante o período.
A militância amplia direitos das mulheres
Em 1981, Amelinha ajudou a fundar a União de Mulheres de São Paulo. A organização esteve ligada à mobilização feminista e à defesa de direitos das mulheres.
Ela também coordenou o Curso de Promotoras Legais Populares, voltado à formação de mulheres sobre direitos e acesso à Justiça. A iniciativa aproximou informação jurídica de mulheres e comunidades.
Além da atuação em organizações de mulheres, sua trajetória permaneceu vinculada à responsabilização por crimes da ditadura. Uma ação judicial movida por sua família contribuiu para que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra fosse reconhecido pela Justiça como torturador.
Com essa trajetória, Amelinha combinou o relato pessoal de uma sobrevivente com a participação em iniciativas de memória, investigação e defesa de direitos. Sua atuação também conectou a pauta da ditadura à luta por justiça e pelos direitos das mulheres.


