Prefeitura afasta servidora após desabamento com seis mortes em São Paulo

Coordenadora da Subprefeitura da Penha assinou, em 2024, relatório sobre a demolição do imóvel no local onde foi construída a edificação que caiu.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
4 min leitura
Desabamento de prédio na Penha, na zona leste de São Paulo, matou seis pessoas.Reprodução
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Prefeitura de São Paulo estendeu por 120 dias o afastamento de Viviane Rodrigues de Palma, coordenadora de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura da Penha. Ela assinou, em fevereiro de 2024, um relatório sobre a demolição do imóvel no local onde foi construída a edificação que desabou na zona leste da capital.

O prédio de 12 andares caiu sobre uma residência na Rua Tequici, no bairro da Penha, na madrugada de sábado (12), e matou seis pessoas. A Controladoria Geral do Município (CGM) abriu procedimento para apurar os atos de fiscalização relacionados à obra.

Prefeitura amplia afastamento da servidora

Viviane Rodrigues de Palma prestou depoimento à CGM na segunda-feira (14). A oitiva integra o processo administrativo que apura os procedimentos de fiscalização da construção.

A administração municipal não divulgou o conteúdo do depoimento. Em nota, a CGM informou que outros servidores também poderão ser chamados para prestar esclarecimentos no curso das oitivas.

O afastamento alcança a coordenadora que assinou o relatório produzido durante a tramitação do processo ligado à demolição no endereço. A medida foi prorrogada por mais 120 dias pela prefeitura.

Relatório registra obra paralisada

O documento de fevereiro de 2024 registrou que, durante a vistoria, a obra se encontrava na etapa final da construção estrutural. Segundo o relatório, a edificação ainda não estava totalmente concluída e não havia trabalhadores no local.

Por isso, a vistoria classificou a obra como paralisada naquele momento. Na sequência, o texto tratou da demolição representada no levantamento planialtimétrico e registrou a execução de uma nova edificação.

O relatório incluiu fotografias da construção e representou a última movimentação no processo que solicitava a demolição do prédio. A ação judicial contra uma construção irregular no mesmo local havia sido aberta em 2021.

CGM embarga obras das construtoras

A CGM determinou o embargo de todas as obras em andamento na cidade atribuídas às construtoras envolvidas no desabamento. Além disso, o órgão decidiu suspender a análise dos pedidos de alvará apresentados pelas mesmas empresas.

A medida municipal reúne o embargo das obras em andamento e a suspensão dos pedidos de alvará das empresas envolvidas.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, a Subprefeitura da Penha havia realizado diversas fiscalizações no endereço antes do desabamento. Essas ações levaram à interdição da obra e à aplicação de multas.

Fiscalizações antecederam queda do prédio

Uma das multas aplicadas à obra teve valor de R$ 119 mil, de acordo com o município. Ainda assim, a decisão administrativa não foi cumprida.

Em consequência, a Justiça determinou a paralisação da construção. A prefeitura também informou que negou, em 2019, um pedido de alvará apresentado pela New Home Construtora.

O desabamento matou três mulheres, entre elas uma gestante, dois homens e uma criança. Um homem e uma criança foram localizados com vida e atendidos por equipes médicas após a ocorrência.

Na segunda-feira (14), o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a prisão de um dos sócios-proprietários da New Home Construtora, responsável pela obra, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

WhatsAppFacebook
Share This Article
3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *