Enviado de Trump chega a Belarus para negociar presos políticos

John Coale retomou em Minsk as conversas com Aleksandr Lukashenko sobre libertações e possível alívio de sanções dos Estados Unidos.

Da
Redação
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John Coale retomou em Minsk as negociações sobre a libertação de presos políticos em Belarus.11/9/2025 Divulgação via REUTERS
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O enviado dos Estados Unidos John Coale chegou a Minsk, em Belarus, na terça-feira (15), para conversar com o presidente Aleksandr Lukashenko sobre a libertação de presos políticos. A viagem marca as primeiras conversas entre os dois lados em seis meses.

Coale foi encarregado pelo presidente Donald Trump de conduzir as negociações. O diálogo envolve libertações de detidos e o possível alívio de sanções americanas contra Belarus, país governado por Lukashenko.

Coale retoma diálogo em Minsk

As conversas entre Coale e Lukashenko haviam começado no ano passado. Segundo as informações divulgadas, a rodada atual ocorre após um intervalo de seis meses nos contatos entre o enviado americano e o presidente bielorrusso.

O foco da missão é a situação de pessoas que grupos de direitos humanos classificam como presos políticos. Ao mesmo tempo, a negociação discute a política de sanções dos Estados Unidos contra Belarus.

Lukashenko é apresentado como aliado próximo do presidente russo Vladimir Putin. A retomada da interlocução americana ocorre, portanto, em meio à relação política entre Minsk e Moscou.

Libertações ligam-se a sanções

Nas negociações iniciadas no ano passado, Coale obteve a libertação de centenas de prisioneiros. Em contrapartida, os Estados Unidos aliviaram sanções contra Belarus.

Esse mecanismo voltou ao centro da visita a Minsk. A pauta combina uma questão humanitária, ligada à soltura de detidos, e uma decisão de política externa, relacionada às restrições impostas por Washington.

A máquina da repressão continua funcionando. Toda semana vemos novos presos políticos e novos métodos de repressão.”

Ales Bialiatski, ativista de direitos humanos, à Reuters

As tratativas anteriores resultaram na libertação de centenas de prisioneiros em troca de alívio de sanções americanas. O resultado dessas conversas serve de antecedente para a nova rodada de diálogo.

Viasna aponta mais de 900 detidos

O grupo de direitos humanos Viasna afirma que Belarus ainda mantém mais de 900 presos políticos. O número indica que, apesar das libertações já obtidas, a questão permanece aberta.

O governo de Lukashenko rejeita a classificação de presos políticos. O presidente chama as pessoas detidas de infratores da lei e de “bandidos”.

As posições opostas revelam o principal ponto de disputa sobre os encarceramentos. De um lado, organizações de direitos humanos denunciam perseguição política; de outro, o governo sustenta que se trata de aplicação da lei.

Oposição exilada apoia negociação

A oposição bielorrussa no exílio recebeu a atuação de Coale como uma intervenção humanitária relevante. Para esse grupo, a libertação de pessoas presas continua sendo uma prioridade.

Por outro lado, integrantes da oposição afirmam que novas detenções ocorrem enquanto outros prisioneiros deixam as cadeias. Assim, as solturas não encerrariam o ciclo de repressão no país.

O ativista de direitos humanos Ales Bialiatski, libertado e deportado no ano passado, descreveu à Reuters uma troca entre liberdade de presos e mudanças nas sanções. Ele também disse que a repressão continuava após sua saída da prisão.

É essencialmente uma troca pura e simples.”

Ales Bialiatski, ativista de direitos humanos, à Reuters

ONU relata violações sistemáticas

Especialistas das Nações Unidas afirmaram, também na terça-feira, ter encontrado violações sistemáticas das obrigações internacionais de direitos humanos em todas as etapas do processo judicial em Belarus.

Segundo os especialistas, os problemas começam no momento das prisões e prosseguem durante a detenção, a condenação e a supervisão de ex-detidos após a libertação.

Entre as práticas citadas estão prisões arbitrárias, tortura, negação de garantias legais, julgamentos fechados e assédio contínuo contra pessoas que já deixaram a prisão.

Governo mantém versão sobre detenções

A missão de Belarus junto ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as conclusões dos especialistas.

A ausência de manifestação imediata ocorre enquanto Lukashenko mantém sua contestação à caracterização dos detidos como presos políticos. Essa posição contrasta com a avaliação da Viasna e com as críticas apresentadas pelos especialistas da ONU.

A nova negociação conduzida por Coale terá como referência as libertações obtidas anteriormente. No entanto, as denúncias de novas prisões e de violações no sistema judicial mantêm os direitos humanos como o ponto central da discussão.

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