O Kennedy Center, instituição nacional de artes dos Estados Unidos, pode votar pelo fechamento de seu edifício principal em meio a uma crise financeira e judicial relacionada ao uso do nome do presidente Donald Trump na fachada. Um relatório entregue aos curadores antes de reunião prevista para terça-feira, 15, aponta risco de colapso em poucas semanas.
Segundo o documento, relatado pelo The New York Times e pelo The Washington Post, a instituição poderia ter dificuldade para pagar funcionários e entrar em falência. A proposta vincula a possibilidade de novas captações à recolocação do nome de Trump no prédio.
Relatório projeta crise em semanas
O relatório distribuído ao conselho inclui duas resoluções e descreve uma situação financeira urgente para o Kennedy Center. Uma fonte com acesso ao material afirmou que a entidade pode não conseguir honrar a folha de pagamento.
Além disso, o documento sustenta que a instituição poderá entrar em falência em poucas semanas. O conselho de curadores pode deliberar sobre o fechamento já na reunião marcada para terça-feira.
A eventual interrupção das atividades é apresentada como uma medida que pode ser votada imediatamente pelos curadores. O relatório também trata a captação de recursos como ponto central para evitar esse cenário.
Nome de Trump divide captação
De acordo com relatos sobre o documento, Trump se ofereceu para buscar recursos destinados à manutenção da instituição. No entanto, a avaliação apresentada aos curadores é que essa mobilização dependeria de seu nome estar visível no edifício.
O integrante do conselho Paolo Zampolli, aliado de longa data de Trump, associou diretamente o presidente à capacidade de arrecadação. A fala foi dada ao The New York Times.
O centro também já havia argumentado em documentos judiciais que doações privadas poderiam ter de ser devolvidas caso o nome de Trump não permanecesse na fachada. A alegação menciona centenas de milhões de dólares, sem detalhamento de valores no material disponível.
Justiça removeu letras da fachada
O nome de Trump foi incluído na fachada externa do Kennedy Center em dezembro. A alteração provocou uma ação judicial que questionou a legalidade da medida.
Uma decisão judicial determinou a retirada das letras, que ocorreu em junho. Dessa forma, a controvérsia sobre a identificação do edifício passou a integrar o processo em curso.
Em agosto, o conselho votou novamente pela inclusão do nome de Trump no prédio e pelo fechamento do espaço para uma reforma de vários anos, segundo documentos judiciais. Posteriormente, informou a um juiz federal que não tentaria alterar o nome do edifício ou do terreno antes de 8 de outubro.
Audiência ocorre antes da reunião
O processo que impediu a mudança de nome continua em tramitação. Uma audiência de status estava prevista para a manhã de terça-feira, antes da reunião dos curadores.
A disputa ocorre após mudanças na direção da instituição e no conselho, que passou a ter aliados de Trump. Depois disso, o próprio Trump foi eleito presidente do conselho, conforme os relatos citados no material.
Artistas cancelaram apresentações no local, enquanto as vendas de ingressos caíram, segundo as informações reunidas no relatório. Assim, a discussão sobre o prédio reúne efeitos financeiros, jurídicos e administrativos.
Trump atrai dinheiro”, disse Zampolli
Para Zampolli, a associação entre o presidente e o Kennedy Center influenciaria diretamente a disposição de doadores. A declaração foi usada no debate sobre a estratégia de financiamento da instituição.
O relatório menciona a possibilidade de diferentes formas de inscrever novamente o nome de Trump no edifício. Uma fonte citada nas reportagens afirmou haver cerca de dez alternativas em estudo.
A defesa da instituição também levou ao Judiciário o argumento de que os recursos privados recebidos ou prometidos dependeriam da presença do nome na fachada. A questão, porém, permanece submetida à controvérsia judicial.
Reformas ganham argumento de segurança
Os curadores também foram instados a fechar de imediato o edifício principal. O pedido foi associado a um incidente ocorrido em 4 de setembro, quando uma parte do reboco do teto desabou.
Ninguém se feriu no episódio. Ainda assim, a administração usou o caso para reforçar a defesa de obras extensas no imóvel.
Advogados do Kennedy Center argumentaram que, sem uma reforma ampla, a construção continuaria a se deteriorar e poderia tornar-se insegura. Em abril, representantes da instituição mostraram a jornalistas áreas técnicas do prédio como a sala de caldeiras, bastidores, estacionamentos e sistema de climatização.


