Irmãs brasileiras centenárias reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãs vivas mais longevo do mundo passaram a integrar o interesse do Projeto DNA Longevo, da Universidade de São Paulo (USP). Levita de Deus Nunes, de 109 anos, Zoraide de Deus Mota, de 104, e Zulina de Deus Nunes, de 103, vivem no Rio de Janeiro.
O reconhecimento foi oficializado em 23 de junho de 2026, após a análise de documentos que confirmaram as datas de nascimento das três. Na verificação, elas somavam 316 anos e 302 dias.
Além da idade avançada, o histórico familiar amplia o interesse científico. A mãe das irmãs chegou aos 100 anos, enquanto uma tia viveu até os 101. O parentesco entre as três centenárias e a presença de outros longevos na família oferecem uma oportunidade rara para investigar o envelhecimento saudável.
As irmãs conquistam o recorde
Levita, Zoraide e Zulina nasceram em Cedro de São João, em Sergipe, e cresceram em uma família de oito irmãos. Mais tarde, as três se estabeleceram no Rio de Janeiro, onde seguiram trajetórias diferentes.
Levita nasceu em 1917, trabalhou como artesã e passou 12 anos na Rede Globo. Ela não se casou e não teve filhos. Zoraide, nascida em 1921, foi professora e depois enfermeira. Ela teve cinco filhos e também se dedicou à família.
Zulina nasceu em 1923, teve seis filhos e dedicou parte da vida aos cuidados com a casa e a família. As idades e os anos de nascimento das três aparecem no quadro abaixo.
Os documentos analisados pelo Guinness confirmaram a elegibilidade do trio para o título mundial. A soma das idades na data da verificação definiu o recorde entre irmãs vivas.
Confira os dados das três irmãs reconhecidas pelo Guinness:
| Irmãs centenárias reconhecidas | ||
|---|---|---|
| Nome | Ano de nascimento | Idade informada |
| Levita de Deus Nunes | 1917 | 109 anos |
| Zoraide de Deus Mota | 1921 | 104 anos |
| Zulina de Deus Nunes | 1923 | 103 anos |
Fonte: Guinness World Records e informações do caso descritas no material factual.
A família amplia o interesse científico
O caso chamou a atenção dos pesquisadores porque a longevidade aparece em diferentes integrantes da mesma família. Além das três irmãs, a mãe viveu até os 100 anos e uma tia alcançou 101.
Esse histórico permite investigar se características compartilhadas entre parentes podem ter relação com a capacidade de envelhecer com mais saúde. A genética está entre as possibilidades analisadas, mas não é considerada uma explicação isolada.
Ambiente, hábitos de vida e condições sociais também podem influenciar o envelhecimento. Por isso, a presença de várias pessoas longevas na família não prova, por si só, a existência de um fator genético específico.
O interesse dos cientistas está justamente em observar como diferentes elementos se combinam ao longo da vida. No caso das irmãs, o parentesco e a idade excepcional formam um conjunto pouco comum para pesquisa.
O projeto analisa o envelhecimento saudável
O Projeto DNA Longevo é coordenado pela geneticista Mayana Zatz, da USP. A iniciativa investiga pessoas que chegam a idades avançadas preservando melhor a saúde e a independência.
Os pesquisadores comparam centenários saudáveis com pessoas da mesma faixa etária que desenvolveram fragilidade, doenças crônicas ou declínio cognitivo. A comparação busca identificar por que alguns organismos resistem melhor às mudanças associadas ao envelhecimento.
Para isso, o projeto analisa dados genéticos, epigenéticos e moleculares. Também são examinadas amostras de sangue e outros marcadores biológicos. Em casos selecionados, os cientistas estudam células em laboratório.
As três irmãs são especialmente relevantes para esse tipo de investigação por reunirem idade avançada, parentesco direto e histórico familiar de longevidade. Ainda assim, o caso não demonstra que exista um gene único responsável por viver mais de 100 anos.
Hábitos ajudam a explicar a longevidade
As próprias irmãs relacionam a vida longa a experiências como uma infância ativa, o consumo de alimentos frescos, o trabalho e a convivência familiar. Esses relatos ajudam a descrever suas trajetórias, mas não formam uma receita comprovada para chegar aos 100 anos.
Zulina, por exemplo, relatou lembranças de nadar e participar de pescarias durante a infância. Ela também recorda que a família consumia alimentos frescos em uma época em que não havia geladeira em casa.
A longevidade, no entanto, envolve múltiplos fatores. Genética, ambiente e estilo de vida podem participar do processo, com pesos diferentes entre as pessoas.
O Projeto DNA Longevo pretende chegar a 500 centenários para ampliar as comparações entre indivíduos que envelheceram de maneiras distintas. A análise de grupos maiores pode ajudar os pesquisadores a separar características comuns de elementos específicos de cada família.


