PF investiga trocas na gestão do Rioprevidência antes de aportes no Master

Nomeações feitas durante o governo Cláudio Castro atingiram cargos responsáveis pelo credenciamento e pelas aplicações do fundo.

Da
Redação
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Relatório da Polícia Federal analisa a relação entre Cláudio Castro, Daniel Vorcaro e investimentos do Rioprevidência.
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PF aponta proximidade entre Castro e Vorcaro

Relatório da Polícia Federal afirma que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mantinham uma relação próxima durante o período investigado.

Mensagens reproduzidas no documento mostram tratamento informal. Em dezembro de 2024, depois de Vorcaro elogiar Castro por cantar em uma missa, o então governador respondeu: “Você é meu amigo, não conta”.

Em março de 2025, os dois também conversaram sobre uma feijoada e encontros sociais. A PF classifica a relação como “laços de amizade”, conclusão investigativa que ainda depende de contraditório e análise judicial.

Aportes chegaram a R$ 3,7 bilhões

Segundo a investigação, o Rioprevidência, responsável por aposentadorias e pensões de servidores estaduais, realizou nove aportes no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024.

Os investimentos alcançaram aproximadamente R$ 3,7 bilhões. A Polícia Federal sustenta que houve “coincidência temporal” entre encontros de Castro com Vorcaro e aplicações realizadas pelo fundo previdenciário.

A proximidade entre datas não comprova, isoladamente, interferência política. Os investigadores procuram estabelecer se encontros, decisões administrativas e movimentações financeiras formaram uma sequência coordenada.

Cronologia reúne encontros e investimentos

Período Evento mencionado no relatório
Maio de 2023 Jantar em Nova York pago por Vorcaro
Julho de 2023 Encontro antes do primeiro aporte
Outubro de 2023 Nomeação e pedido de credenciamento do Master
Novembro de 2023 Encontro após o primeiro investimento
Março a maio de 2024 Novos encontros registrados
Novembro de 2023 a julho de 2024 Nove aportes do Rioprevidência

Fonte: relatório da Polícia Federal e informações do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.

Um dos eventos mencionados foi jantar realizado em Nova York, em maio de 2023, com custo informado de R$ 66 mil. Outros encontros ocorreram no Brasil e nos Estados Unidos.

O relatório afirma que reuniões restritas eram sucedidas por aportes do Rioprevidência em letras financeiras ou fundos apresentados pelo Master. Essa é uma interpretação policial, não uma decisão definitiva.

Os investigadores deverão demonstrar vínculo causal entre os eventos e as aplicações. As defesas podem contestar autenticidade, contexto, datas, atribuições e conclusões extraídas do conjunto documental.

Trocas na gestão entram na apuração

Castro fez três nomeações na estrutura do Rioprevidência entre julho e outubro de 2023, segundo dados citados do Tribunal de Contas estadual. Os escolhidos ocuparam funções ligadas a credenciamento e investimentos.

Euchério Lerner Rodrigues foi nomeado diretor de Investimentos em 4 de outubro de 2023, mesma data em que o Master enviou pedido de credenciamento ao fundo, conforme a investigação.

Deivis Marcon Antunes assumiu a direção-presidência, enquanto Pedro Pinheiro Guerra Leal atuou como gerente de Investimentos. A PF investiga se as mudanças permitiram decisões contrárias à política conservadora da autarquia.

Polícia atribui finalidade às nomeações

O relatório afirma que os gestores teriam sido escolhidos com o propósito de viabilizar gestão fraudulenta. Essa acusação é grave e precisa ser comprovada perante o Judiciário com garantia ampla de defesa.

A corporação sustenta que os três cargos concentravam decisões sobre credenciamento do banco, análise das operações e definição das aplicações. Também aponta supostas irregularidades na compra de letras financeiras.

Até o momento descrito pelas fontes, não havia condenação definitiva de Castro ou dos gestores mencionados por esses fatos. A existência de relatório policial não elimina a presunção de inocência.

Defesas podem contestar conclusões

A assessoria de Cláudio Castro foi procurada pela imprensa, mas não apresentou manifestação até a publicação da reportagem original. O espaço para posicionamento permanece relevante diante das acusações registradas.

Também não havia resposta dos três ex-gestores citados. Eventuais manifestações deverão esclarecer critérios técnicos das aplicações, processos internos, responsabilidade individual e relação das nomeações com decisões financeiras posteriores.

A apuração integra o conjunto de documentos do caso Master analisado pelo Supremo Tribunal Federal. Novas diligências e decisões judiciais definirão se as hipóteses policiais têm sustentação probatória suficiente.

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