A desconfiança no STF (Supremo Tribunal Federal) subiu para 56% entre os entrevistados pela pesquisa Quaest realizada em setembro. O índice era de 46% em agosto, uma alta de dez pontos percentuais em meio à crise envolvendo a Corte.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em todo o território nacional entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%.
Além disso, a sondagem avaliou a percepção dos eleitores sobre a disputa pública entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, relacionada à condução das investigações sobre o Banco Master.
Desconfiança no STF avança
O percentual dos que afirmaram não confiar no Supremo passou de 46% para 56% em um mês. A parcela dos entrevistados que declarou confiar muito no STF caiu pela metade, de 18% para 9%.
Ao mesmo tempo, 30% disseram confiar pouco na instituição. Em agosto, esse grupo representava 33% dos entrevistados. Outros 5% não souberam responder ou preferiram não informar uma posição.
A distribuição das respostas mostra que o avanço da desconfiança ocorreu junto com a redução da confiança absoluta. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
Os principais resultados sobre a avaliação do tribunal estão organizados abaixo.
| Confiança no STF | |
|---|---|
| Resposta | Percentual |
| Não confia | 56% |
| Confia pouco | 30% |
| Confia muito | 9% |
| Não sabe ou não respondeu | 5% |
Fonte: Pesquisa Quaest
Eleitores divergem sobre ministros
A pesquisa também mediu como os eleitores avaliam o embate público entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Para 37%, Mendonça age de forma correta na disputa.
Por outro lado, 16% consideraram que Moraes atua corretamente. O levantamento relaciona o confronto à condução das investigações sobre o Banco Master.
A percepção sobre o impacto do caso também mudou desde agosto. Cresceu o percentual dos entrevistados que apontam o STF como o Poder mais atingido, embora a avaliação geral ainda seja de que o episódio afeta os três Poderes.
Desconfiança varia por grupo político
Entre os eleitores independentes, 65% afirmaram não confiar no Supremo. Em agosto, a taxa nesse segmento era de 50%, seguindo uma alta superior à observada no resultado geral.
No eleitorado bolsonarista, a desconfiança chegou a 69%, contra 73% no mês anterior. Apesar da queda recente, o índice desse grupo chegou a 83% em março.
Entre os eleitores lulistas, o percentual dos que não confiam no STF passou de 27% para 30%. A maior mudança nesse segmento ocorreu entre os que afirmam confiar muito: a taxa recuou de 41% para 23%.
Crise influencia cenário político
O levantamento foi divulgado em um momento de crise envolvendo o Supremo e de exposição pública das divergências entre ministros. O caso Banco Master aparece como pano de fundo da disputa avaliada pelos entrevistados.
No cenário político descrito na pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem procurado se afastar de Alexandre de Moraes e, ao mesmo tempo, feito críticas públicas a André Mendonça.
Já o candidato de oposição Flávio Bolsonaro defende o afastamento de Moraes e busca aproximação com Mendonça. A pesquisa foi contratada pelo Grupo Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.


