STF centraliza investigação sobre emendas ligadas a “Dark Horse”

Operação Make Up apura suspeitas de desvios em recursos destinados a entidade associada à produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro; deputado Mário Frias nega irregularidades.

Da
Redação
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A produção-executiva de “Dark Horse” está a cargo do deputado federal Mario Frias (foto)
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou em 10 de setembro de 2026 o sigilo da decisão que autorizou a Operação Make Up. Ele também determinou que a Polícia Federal (PF), sob supervisão da Corte, centralize as investigações sobre emendas parlamentares ligadas a entidades relacionadas à produção do filme “Dark Horse”.

A apuração envolve R$ 2 milhões em emendas destinados em 2024 pelo deputado Mário Frias (PL-SP) a uma entidade presidida por Karina Gama, ligada à produtora Go Up. Frias é produtor executivo e roteirista da cinebiografia de Jair Bolsonaro e nega irregularidades.

STF centraliza investigação sobre emendas

A decisão de Dino reuniu no STF e na PF uma apuração que também tramitava na Polícia Civil de São Paulo. A centralização foi justificada pela conexão apontada entre o inquérito federal e uma investigação anterior envolvendo o Instituto Conhecer Brasil.

Com a medida, a PF conduz o conjunto das diligências sob supervisão do Supremo. A investigação examina suspeitas sobre a destinação das emendas parlamentares e contratos vinculados ao caso.

A retirada do sigilo ocorreu após o cumprimento dos mandados da Operação Make Up. Dessa forma, tornaram-se públicos elementos da decisão judicial, as medidas cautelares e o escopo geral da apuração.

Operação cumpre 49 mandados

A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A Controladoria-Geral da União (CGU) apoiou a operação.

Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição.”

Mário Frias, deputado federal (PL-SP)

Segundo a PF, a apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A investigação não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Além das buscas, Dino impôs medidas cautelares a Frias. O deputado está proibido de deixar o país e de manter contato com outros investigados. Não houve ordem de prisão contra ele na operação.

PF examina fluxos entre empresas

A Polícia Federal afirma investigar um possível esquema formado por agentes públicos e privados. Na hipótese analisada, recursos públicos teriam sido direcionados a empresas subcontratadas sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.

Os investigadores também examinam contratos e documentos que, segundo a apuração, poderiam ter dado aparência de regularidade às operações. Projetos sociais previstos para Pirassununga, no interior paulista, integram o objeto investigado.

A PF informou ter identificado movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o grupo investigado. Os fluxos financeiros e a destinação dos recursos permanecem sob análise.

Frias contesta medidas cautelares

Frias afirmou que os recursos foram destinados por meio de emenda pública, registrada e transparente. O parlamentar negou irregularidades na destinação das verbas investigadas.

Ao responder à operação, o deputado classificou a ação como uma cortina de fumaça e associou o caso ao calendário eleitoral. A manifestação ocorreu após as medidas da PF e a divulgação da decisão de Dino.

A investigação seguirá sob condução da Polícia Federal e supervisão do STF. Enquanto isso, continuam válidas as medidas cautelares impostas ao deputado na decisão divulgada pelo ministro.

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