Documentos detalham gastos de “Dark Horse” sob investigação da PF

Comprovantes entregues pela produtora à Polícia Federal registram despesas com hospedagem, transporte e caracterização de elenco do filme sobre Jair Bolsonaro.

Da
Redação
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Documentos entregues à Polícia Federal registram despesas relacionadas à produção de “Dark Horse”.
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Os gastos de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, aparecem em comprovantes bancários e notas fiscais entregues à Polícia Federal pela Go Up Entertainment e por sua representante legal, Karina Ferreira da Gama. O material integra o inquérito que apura o financiamento da produção no âmbito do caso Banco Master.

Entre as despesas registradas estão hospedagem do ator Jim Caviezel, seu agente e seguranças em um hotel de São Paulo, passagem aérea e itens de caracterização. A investigação tramita sem sigilo desde decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na sexta-feira (11).

Documentos registram despesas do filme

A documentação foi apresentada à PF em 4 de setembro como resposta a um ofício que solicitava esclarecimentos financeiros sobre o longa. A polícia pediu dados sobre a origem dos recursos, contratos com profissionais estrangeiros e despesas com fornecedores, transporte, locações e hospedagem.

Os documentos incluem comprovantes bancários e notas fiscais. Eles vinculam os pagamentos à Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, e identificam profissionais que participaram da produção ou viajaram para atividades relacionadas ao filme.

O conjunto reúne gastos de naturezas distintas, desde hospedagem e passagens até serviços de caracterização. Por isso, os valores permitem mapear parte das despesas informadas pela defesa, mas não estabelecem por si só a origem dos recursos que financiaram a obra.

Os registros detalhados no material incluem os seguintes pagamentos:

Despesa Valor
Seis notas de hospedagem no hotel Unique R$ 663.165,50
Duas notas de hospedagem de segurança R$ 68.835,60
Transferência ao hotel R$ 298.350,49
Passagem de Jim Caviezel R$ 54.332,46
Locação de peruca para Jim Caviezel R$ 10.000,00

A transferência de R$ 298.350,49 ao hotel trazia uma descrição que mencionava hospedagem, gorjetas e massagens. Os papéis não detalham quanto foi destinado a cada serviço, nem relacionam esse pagamento de forma conclusiva às notas fiscais apresentadas.

Hospedagem concentra os maiores valores

Seis notas fiscais emitidas pelo hotel Unique somam R$ 663.165,50. Elas citam James Patrick Caviezel, nome completo do ator, Nathon Lewis, apontado nos documentos como agente, e Richard Dobrich.

Outras duas notas fiscais, no valor total de R$ 68.835,60, referem-se à hospedagem de Keith Billiot. Os comprovantes o identificam como segurança de Caviezel.

Assim, apenas as oito notas de hospedagem totalizam R$ 732.001,10. Esse montante não inclui a transferência de R$ 298.350,49 feita ao hotel em 30 de dezembro de 2025.

O pagamento adicional foi registrado com descrição que abrangia mais de um item. Dessa forma, não é possível separar, a partir dos documentos citados, qual parcela correspondeu a diárias, gorjetas ou massagens.

Caracterização inclui perucas e apliques

A Go Up Entertainment transferiu R$ 10 mil para a locação de uma peruca destinada a Jim Caviezel. O comprovante tem data de 5 de dezembro de 2025 e identifica a produtora como pagadora.

Também há um pagamento de R$ 3 mil pela locação de um conjunto de apliques para a personagem de Michelle Bolsonaro. Camille Guaty interpreta Michelle no longa.

Outro contrato prevê R$ 5.500 para uma peruca de dublê e um kit de dreadlocks de outra personagem. O documento, no entanto, não separa o preço de cada item.

Os comprovantes ainda registram quatro despesas com manicures para as atrizes Lynn Collins e Camille Guaty, que juntas somaram R$ 2.045. Collins recebeu atendimentos de R$ 995, enquanto os de Guaty custaram R$ 1.050.

Ator teve passagem registrada

Uma fatura aponta R$ 54.332,46 pela passagem de Caviezel. O valor abrange tarifa, taxa de embarque e serviços adicionais indicados no documento.

O período informado na fatura vai de 1º de novembro a 8 de dezembro de 2025. Essa despesa é independente dos valores de hospedagem atribuídos ao hotel de São Paulo.

Caviezel interpreta Bolsonaro em “Dark Horse”. O ator se tornou conhecido mundialmente pelo papel de Jesus em “A Paixão de Cristo” e atuou mais recentemente em “O Som da Liberdade”.

Parte das filmagens ocorreu em São Paulo. Dirigido por Cyrus Nowrasteh, o longa retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018 e o episódio da facada em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

PF apura origem do financiamento

A apuração sobre o financiamento do filme passou a integrar o caso Banco Master após negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o então banqueiro Daniel Vorcaro. A PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

Segundo documentos da PF citados no material, Flávio Bolsonaro teria atuado como interlocutor direto de Vorcaro para investimentos, enquanto Eduardo Bolsonaro teria participado da gestão dos recursos. Flávio e Eduardo negam irregularidades.

A polícia também apura a suspeita de que parte do dinheiro tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Trata-se de uma linha investigativa, sem conclusão apresentada no material.

Em junho, a defesa da Go Up afirmou que a produção recebeu recursos privados. Um laudo contratado pelos advogados da empresa estimou o custo da obra em US$ 13,4 milhões e declarou não ter encontrado dinheiro público nos documentos submetidos à análise.

A conclusão da perícia privada ficou restrita aos materiais apresentados para exame. Já a investigação da PF busca esclarecer a origem e a circulação dos recursos relacionados ao filme.

Empresa cita cooperação internacional

Karina Ferreira da Gama encaminhou o pedido da PF ao produtor Michael Davis. Ele se apresenta como sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC, nos Estados Unidos.

Em resposta, Davis afirmou que não autorizaria o envio às autoridades brasileiras de documentos da empresa mantidos nos Estados Unidos, seguindo orientação de seus advogados. Ele sustentou que eventuais pedidos deveriam percorrer canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional.

Segundo a posição relatada por Davis, a entrega de documentos guardados nos Estados Unidos dependeria de ordem de um juiz norte-americano. A manifestação tratou especificamente dos arquivos da empresa naquele país.

A retirada do sigilo ampliou o acesso público aos processos relacionados ao caso Master. A medida ocorreu após pedido da Procuradoria-Geral da República para tornar públicos os inquéritos vinculados ao caso.

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