A cúpula do Brics na Índia terminou neste domingo (13), em Nova Délhi, com a aprovação de um comunicado final que manifesta preocupação com a escalada de tensões no Oriente Médio e pede contenção máxima aos envolvidos. O texto, porém, não responsabiliza nenhum país ou grupo pelo conflito.
O encontro reuniu líderes como o presidente chinês, Xi Jinping, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da reunião, segundo o material divulgado sobre a cúpula.
Comunicado evita atribuir responsabilidades
A declaração final usou termos amplos para abordar a situação no Oriente Médio. Os líderes registraram “profunda preocupação” com a escalada regional e defenderam “máxima moderação”, sem citar diretamente países envolvidos.
A formulação refletiu as divergências internas do bloco. Entre os integrantes estão Irã e Emirados Árabes Unidos, que aparecem em lados opostos no conflito regional mencionado no encontro.
O comunicado final pediu contenção máxima no Oriente Médio, mas não atribuiu responsabilidade pela guerra. A aprovação do texto permitiu que os países encerrassem a cúpula com uma posição conjunta, ainda que limitada no detalhamento das causas e dos responsáveis pela crise.
Irã e Emirados mantêm diálogo
À margem das negociações do comunicado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, tiveram um encontro presencial.
Segundo as informações sobre a reunião, foi o primeiro contato público direto entre os dois governos desde o início da guerra que os separa. A conversa ocorreu enquanto a declaração do Brics evitava identificar os países ligados ao confronto.
O encontro colocou representantes dos dois lados na mesma mesa, em contraste com a linguagem cautelosa adotada pelo documento. Dessa forma, a cúpula combinou um consenso diplomático restrito com uma interlocução bilateral entre governos rivais.
Gaza recebe posição mais clara
Gaza foi o tema que recebeu a formulação mais direta na declaração final. Os líderes expressaram preocupação com a violência no território e pediram o fim de qualquer deslocamento forçado de palestinos.
Além disso, o texto reafirmou o apoio à criação de um Estado palestino, tendo Jerusalém Oriental como capital. Esse trecho se diferenciou da abordagem genérica empregada para a escalada no restante do Oriente Médio.
Por outro lado, a guerra entre Rússia e Ucrânia não apareceu no comunicado. A declaração se limitou a uma referência ampla a conflitos em várias partes do mundo e ao crescimento dos gastos militares globais.
Pagamentos não avançam no bloco
A busca por alternativas ao dólar nas transações comerciais entre os integrantes do Brics não teve avanço anunciado na cúpula. O Grupo de Trabalho sobre Pagamentos continuará estudando possibilidades para o tema.
O documento reconheceu que não há uma abordagem única aplicável a todos os casos. Assim, o encontro não apresentou uma solução comum para reduzir a dependência da moeda americana no comércio do grupo.
Já na área de tecnologia, Xi Jinping anunciou a criação, pela China, de um sistema de inteligência artificial de código aberto para uso dos países do Brics. A iniciativa prevê apoio a grandes modelos de linguagem, seminários técnicos e treinamentos.
Bloco critica embargo contra Cuba
O comunicado também expressou preocupação com o embargo dos Estados Unidos a Cuba e com a proibição de exportação de petróleo à ilha. O posicionamento foi incluído a pedido do Brasil.
O texto alertou para os efeitos das restrições sobre a economia cubana e sobre o abastecimento de energia. Também citou as consequências humanitárias para a população do país caribenho.
Embora tenha tratado do embargo e das limitações ao fornecimento de petróleo, a declaração não mencionou diretamente os Estados Unidos. A opção preservou o padrão de evitar atribuições nominais em pontos sensíveis da agenda internacional.
Brics retoma pedido por reformas
Os países voltaram a defender mudanças nas principais instituições da governança global. O comunicado pediu a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, das cotas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
O documento ainda defendeu a recomposição do órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio, paralisado há anos. A reforma dessas instâncias é uma pauta recorrente e compartilhada pelos integrantes do Brics.
Na discussão sobre o Conselho de Segurança, o texto reconhece a permanência de China e Rússia e aponta a pretensão de Brasil e Índia por oportunidades de representação. Ao mesmo tempo, os países africanos não chegaram a uma indicação única para uma vaga.


