O Brics aprovou neste sábado (12), durante sua cúpula em Nova Délhi, na Índia, um comunicado final que condena medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional. O texto também critica sanções econômicas contra Cuba e o embargo dos Estados Unidos à venda de petróleo para a ilha.
A aprovação encerrou negociações que avançaram pela madrugada. Segundo a CNN Brasil, o entendimento sobre o Oriente Médio buscou acomodar as posições de Irã e Emirados Árabes Unidos, países em lados opostos no conflito regional.
Brics fecha texto após negociação
Os negociadores concluíram o comunicado após pressão diplomática, especialmente por parte da Índia, país anfitrião da reunião. A negociação se estendeu até a madrugada de sábado.
O documento adotou uma formulação ampla para tratar das guerras. Assim, condenou a imposição de medidas coercitivas unilaterais que contrariem o direito internacional, sem citar países específicos.
De acordo com a apuração da CNN Brasil, essa redação permitiu superar o risco de veto ao texto final. A ausência de um consenso mínimo seria interpretada como um revés para a cúpula.
Texto aborda conflito no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio esteve entre os temas que exigiram conciliação durante a elaboração do comunicado. Irã e Emirados Árabes Unidos apresentavam posições distintas sobre a questão.
A China pretende trabalhar com os outros países do bloco para ajudar a manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio.”
Xi Jinping, líder chinês
Por isso, o Brics evitou referências diretas a países na condenação às medidas coercitivas unilaterais. O texto final registrou uma posição comum em termos gerais.
Na abertura do encontro, o líder chinês Xi Jinping afirmou que a China pretende atuar com os demais integrantes do bloco para contribuir com a paz e a estabilidade no Oriente Médio.
Brasil defende menção a Cuba
Além das referências genéricas às guerras, o comunicado questiona as sanções econômicas contra Cuba. O documento também critica o embargo imposto pelos Estados Unidos à venda de petróleo para a ilha.
O Brasil esteve entre os países mais ativos nas negociações para incluir a crise cubana no texto, segundo a CNN Brasil. A pauta ganhou espaço nas discussões da cúpula.
A falta de energia na ilha dificulta a vida da população e tem dimensão humanitária, conforme relatado no material que trata do comunicado. Dessa forma, o texto associou a crítica às sanções ao cenário enfrentado por Cuba.
Índia pede reforma da ONU
O primeiro-ministro indiano Narendra Modi voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A manifestação ocorreu entre os discursos iniciais da cúpula.
Modi sustentou que grandes países em desenvolvimento devem ter maior participação nas decisões globais. Segundo ele, essas nações respondem por parcela relevante do crescimento econômico mundial.
A posição do anfitrião conecta a agenda de reforma da governança internacional aos debates do Brics. Ao mesmo tempo, a aprovação do comunicado deu ao bloco uma manifestação conjunta sobre conflitos, sanções e Cuba.


