O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou em 11 de setembro que o país não cederá à pressão dos Estados Unidos e de Israel. A declaração foi feita em Nova Délhi, à margem da cúpula do Brics.
Durante a agenda na capital indiana, o primeiro-ministro Narendra Modi tratou com o líder iraniano da proteção à liberdade de navegação e de comércio. O premiê também ressaltou a segurança e o bem-estar de marinheiros em meio aos ataques a embarcações na região.
Pezeshkian rejeita pressão externa
Pezeshkian apresentou a posição iraniana durante um evento com líderes religiosos e empresariais indianos. Segundo o presidente, Teerã não aceitará imposições dos Estados Unidos e de Israel.
A fala ocorreu paralelamente à reunião dos países do Brics em Nova Délhi. A cúpula reuniu o presidente iraniano e autoridades indianas em um momento de tensão no Oriente Médio.
Ao dirigir-se ao público do evento, o chefe de Estado iraniano associou a postura do país à rejeição do que chamou de intimidação e arrogância. A manifestação reforçou a crítica iraniana à atuação de Washington e de Israel.
Modi defende segurança no mar
Nas conversas com Pezeshkian, Modi enfatizou a necessidade de preservar a circulação marítima e o comércio. O premiê indiano também citou a segurança dos trabalhadores embarcados.
Não cederemos diante de valentões e arrogância”
Masoud Pezeshkian, presidente do Irã
A questão tem impacto direto para a Índia. Ataques contra embarcações que atravessavam a região mataram ao menos dez cidadãos indianos, conforme as informações divulgadas.
Assim, a defesa da navegação segura aparece como um ponto concreto da interlocução entre Nova Délhi e Teerã. O tema envolve tanto a circulação de mercadorias quanto a proteção das tripulações.
Índia equilibra relações regionais
A Índia mantém laços históricos e culturais com o Irã. Ao mesmo tempo, o país construiu relações estratégicas fortes com Israel.
Nova Délhi também cultiva vínculos estreitos com países árabes, onde milhões de indianos vivem e trabalham. Essa rede de relações coloca o governo indiano em posição delicada diante do conflito regional.
Por isso, a agenda de Modi combina a defesa de interesses de segurança e comércio com contatos diplomáticos entre diferentes atores do Oriente Médio. A reunião com Pezeshkian ocorreu nesse quadro de interesses cruzados.
Nova Délhi condena ataques e sanções
A Índia condenou ataques de Teerã contra vizinhos do Golfo, contra infraestrutura energética regional e contra navios que resultaram em mortes de tripulantes. A posição expressa a preocupação indiana com a escalada no entorno marítimo.
No entanto, durante a cúpula de Bishkek, Nova Délhi assinou uma declaração conjunta que condenou a campanha militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O texto também criticou sanções ocidentais.
As duas posições mostram a complexidade da atuação diplomática indiana no conflito. Enquanto reprova ações iranianas que afetaram a região, a Índia também aderiu a uma manifestação crítica à ofensiva EUA-Israel e às sanções.


